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domingo, 26 de junho de 2011

Pessoas com deficiência auditiva enxergam melhor, diz estudo

A ideia que a falta de um dos sentidos pode ser compensada por outro acaba de ganhar mais um reforço, graças a um estudo que mostrou que deficientes auditivos enxergam melhor que pessoas de audição normal. Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, descobriram que os neurônios da retina dos surdos são distribuídos de forma diferente, aumentando seu campo de visão periférica. Isto lhes dá uma maior percepção sobre o que está acontecendo ao redor. A equipe também notou o alargamento de uma área do nervo óptico, o que mostra que os surdos têm mais neurônios transmitindo informações visuais.

A equipe analisou a retina de adultos que nasceram surdos ou que ficaram surdos nos primeiros anos de vida. De acordo com Charlotte Codina, autora do estudo, embora todas as células da retina já estejam presentes desde o nascimento, nos primeiros anos de vida, elas não são localizadas exatamente onde precisam estar e podem se mover nos primeiros anos de vida.

Os surdos, em comparação com pessoas capazes de escutar, apresentaram menos neurônios direcionados para a visão central e mais deles para a visão periférica. “Parece que entre os surdos este padrão é mudado para facilitar a visão periférica. Provavelmente a conexão neural no nervo óptico é priorizada, já que não há competição para as informações auditivas”, disse Charlotte ao iG.

O estudo publicado no periódico científico "Plos One" é o primeiro a relacionar a surdez com mudanças na retina. “A retina deve ser mais plástica e interativa do que pensávamos e isto afeta a maneira como entendemos a visão”, disse. No entanto, como o estudo foi realizado apenas com pessoas que nasceram surdas ou perderam a audição ainda na infância, não se sabe ainda se a retina também se altera em adultos que ficaram surdos.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

Aprovada em dois concursos, deficiente é barrada no Tribunal de Justiça

Frustração. Esta é a palavra que resume o sentimento de Cláudia Simone Kronbauer há, pelo menos, sete anos. Com 30 anos de idade, deficiente visual há 16, Cláudia é formada em Direito e trabalha como assistente de service desk na CPM Braxis, uma das grandes empresas de tecnologia da informação. Aprovada em dois concursos do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em 2004 e 2010, já foi recusada uma vez. Agora, aguarda decisão do tribunal.

O primeiro concurso selecionou candidatos ao cargo de oficial escrevente do Tribunal de Justiça. Cláudia foi aprovada, mas uma perícia preliminar, destinada a confirmar a deficiência informada na inscrição, apontou incompatibilidade com as atribuições mínimas. Cláudia entrou com dois recursos administrativos, ambos indeferidos pelo Tribunal, assim como o mandado de segurança, negado por unanimidade.

Em nova tentativa de provar sua capacidade, Cláudia se submeteu a novo concurso, no ano passado, e foi outra vez aprovada para o cargo de oficial escrevente do Tribunal de Justiça, com atribuições como digitar os termos nas audiências, digitar sentenças, decisões e despachos e auxiliar no atendimento ao público. O tribunal voltou a negar-lhe o cargo, embora anunciasse 34 vagas para deficientes físicos. O primeiro recurso administrativo foi rejeitado e agora Cláudia aguarda a resposta a mais um recurso. Está decidida a não desistir.

“Não tenho dúvidas da minha capacidade. Sinto é frustração e fico deprimida, porque estudei muito para estes concursos. Estudava à noite, depois do trabalho, em busca do meu objetivo. Nunca me inscreveria numa vaga se não tivesse certeza de que poderia executar as funções”.

Cláudia se declara vítima de discriminação.

“Às vezes eu esqueço que não enxergo. No trabalho, as pessoas são solidárias, formam minha segunda família, é perfeito. Não há dificuldade nenhuma. Agora, com respeito ao Tribunal, sim, eu sinto discriminação”.

Para o vice-presidente da Associação Gaúcha dos Advogados Trabalhistas, Antônio Escosteguy Castro, a Constituição Federal é clara quando diz que cada órgão, seja público ou privado, deve ter 5% de deficientes físicos contratados. Além disso, eles têm a obrigatoriedade de dar condições físicas para que a pessoa trabalhe na vaga para a qual foi contratada.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul não quis se manifestar sobre o caso de Cláudia alegando que a situação ainda não é definitiva. O Conselho dos Magistrados vai se reunir nas próximas semanas e esta discussão deverá estar na pauta. (THAÍS SALVAGNI e LUIZ ÁVILA)

Um breve relato sobre os anos de invisibilidade social das pessoas com deficiência

Compararmos a qualidade de vida das pessoas com deficiência, hoje em dia, com os deficientes dos anos anteriores, veremos que a situação está muito mais favorável. Tivemos conquistas relevantes, dentre elas o direito ao trabalho, à educação inclusiva, uma das legislações mais abrangentes – mesmo que, infelizmente, na prática, os direitos nem sempre sejam respeitados -, um grande aumento da participação das pessoas com deficiência na política, nos esportes e na cultura. Atualmente, não há limites para nós! Estamos presentes em quase todas as áreas: já temos modelo down, magistrado cego, cirurgião cadeirante, atores e cantores com deficiência, etc. Temas como acessibilidade, diversidade, maternidade e vulnerabilidade sexual ganharam visibilidade. A pessoa com deficiência, aos poucos, foi ganhando voz ativa e tomando as rédeas de sua vida.

O reconhecimento das pessoas com deficiência como cidadãos é bem recente. É fruto do movimento da inclusão. Ao longo da história, sempre fomos excluídos e, em várias épocas, éramos totalmente invisíveis!

Sempre existiram pessoas com deficiência. Independente de sua causa (uma doença ou adquirida com o passar dos anos), a humanidade sempre esteve cheia de deficientes, fossem eles anônimos ou não. Por exemplo, como não se encantar com as cores de Frida Kahlo (sou fascinada com sua história e talento; adoro mulheres poderosas!), as obras maravilhosas de Aleijadinho, Van Gogh, Beethoven, Stephen Hawking, Hellen Keller... São inúmeros os exemplos de superação. Mesmo com as dificuldades impostas pela deficiência, a falta de acessibilidade e o preconceito, lutaram e se fizeram visíveis perante a sociedade. Na minha listinha de ídolos com deficiência, destaco ainda Clodoaldo Silva, Edênia Garcia, Lars Grael, Mara Gabrilli e uma série de anônimos que me servem de exemplo e incentivo para ir sempre além dos meus limites.

Vamos voltar um pouquinho no túnel do tempo e relembrarmos esses tempos de agruras e invisibilidade.

Na mitologia grega, temos Hefesto, filho de Zeus e Hera, como representante. Ele era manco, o que lhe dava uma aparência grotesca aos olhos dos antigos gregos. Alguns relatos contam que se tornou manco após ter sido arremessado dos céus por Zeus. Outros autores dizem que foi arremessado por sua mãe, decepcionada por ter um filho com deficiência física. Como diria minha vó, Hefesto sempre foi da pá virada! Sua história é cheia de vinganças e muitas mulheres. Ele foi responsável pela fabricação de grande parte dos equipamentos utilizados pelos deuses. Era um exímio ferreiro. Dentre outras coisas, criou o elmo alado, as sandálias de Hermes, a cinta de Afrodite e o arco e flecha de Eros. Também deu ao cego Órion seu aprendiz, Cedálion, que se tornou seu guia. Outra criação importante teria sido Pandora.

Na Antiguidade, acreditava-se que as pessoas com deficiência eram amaldiçoadas. A deficiência era relacionada à bruxaria. Resultado: as pessoas com deficiência eram eliminadas sem dó nem piedade.

Com a ascensão do Cristianismo, na Idade Média, as pessoas com deficiência deixaram de ser eliminadas, uma vez que a Igreja Católica considerava todos os seres como criatura de Deus. Ao invés de serem mortas, passaram a ser abandonadas e ignoradas à própria sorte. Tiveram que contar com a caridade e boa vontade de outras pessoas para sobreviver. Vem dessa época a mendicância das pessoas com deficiência. Ainda nessa época, alguns deficientes passaram a ser ‘aproveitados’ com fins de entretenimento. Muitos se tornaram bobos da corte. Sempre brinco com meus amigos, quando faço muitas palhaçadas e me chamam de retardada, que estou apenas resgatando a história dos meus ‘companheiros’. Bobo da corte foi uma de nossas primeiras profissões! Brincadeiras à parte, os deficientes também eram aproveitados em circos, explorados como aberrações da natureza. Em outros casos, eram explorados sexualmente. Imagino o quanto sofreram as pessoas com deficiência nesses tempos difíceis e repugnantes.

No século XII, a sociedade começou a se incomodar com essa situação. Surgiram, então, as primeiras instituições para abrigar deficientes (sobretudo pessoas com deficiência mental) e as primeiras legislações sobre os cuidados necessários para a sobrevivência. Só que essas instituições, que ficavam bem longe dos centros urbanos, se transformaram em locais de confinamento. Conventos, asilos e hospitais psiquiátricos, ao invés de se transformarem em locais de tratamento para as pessoas com deficiência, se tornaram verdadeiras prisões. Vale lembrar que, ainda hoje, temos algumas instituições que funcionam dessa forma!

Esse período, conhecido como Paradigma da Institucionalização, permaneceu por mais de 500 anos. Nem mesmo a evolução da medicina, durante a Revolução Burguesa, a partir do século XVI, conseguiu mudar esse pensamento. Nessa época, a tese da organicidade reconheceu que as deficiências eram frutos de fatores naturais, acabando com a idéia de que fossem associadas a fatores espirituais. Tivemos avanços nas formas de tratamento, etiologias e funcionamento das deficiências.

A Institucionalização foi o primeiro padrão formal a caracterizar a interação da sociedade com as pessoas com deficiência. Pena que, no final das contas, as instituições serviam para a segregação. O deficiente era levado para longe da família e ficava ‘escondido’ do restante da sociedade. Minha mãe sempre me conta que existia, em BH, na época em que ela era criança, uma casa em que moravam apenas meninas com síndrome de down e paralisia cerebral. Todas eram filhas de famílias ricas. Por vergonha e preconceito da sociedade, as crianças ficavam esquecidas por lá até a morte. Minhas avós sempre contam casos de pessoas com deficiência que viviam trancadas em casa. Tive uma tia avó com poliomielite. Ela andava normalmente, mas tinha uma das pernas finas. Como, na época de sua mocidade, mulheres só usavam saia, ela acabou vivendo apenas dentro de casa. Tinha vergonha das outras pessoas. Nem sol ela tomava. Parecia uma albina! Ainda hoje temos escolas especializadas. Esse assunto é bem polêmico e deixarei para abordá-lo em outro texto.

A situação só começou a melhorar, em meados do século XX, por volta da década de 60. O Paradigma da Institucionalização começou a ser questionado e criticado, sobretudo pelo alto custo que era manter as pessoas com deficiência segregadas e na improdutividade. Várias áreas da sociedade fizeram pressão para que a situação se modificasse. A década de 60 tornou-se marcante na relação da sociedade com a pessoa com deficiência. Surgiram os conceitos de normalização e desinstitucionalização.

O movimento da desinstitucionalização iniciou-se, no ocidente, pela falha do Paradigma da Institucionalização na integração da pessoa com deficiência à sociedade, na restauração do funcionamento normal do indivíduo, nas relações interpessoais, nos estudos e no trabalho. “A ação era baseada na ideologia da normalização e defendia a necessidade de introduzir o cidadão com deficiência na sociedade, procurando ajudá-lo a adquirir as condições e os padrões de vida no nível mais próximo do considerado normal.”

Nessa época, os esportes adaptados ganharam visibilidade. Vários soldados americanos voltaram pra casa multilados e descobriram no esporte uma nova ocupação e sentido para a vida.

Criou-se o conceito de integração, no qual a pessoa com deficiência deveria ser modificada para se adequar à sociedade. Para um bom convívio social, as pessoas com deficiência deveriam se assemelhar, o máximo possível, às pessoas ditas ‘normais’ da sociedade. Esse conceito não deu certo, já que era muito relativo e subjetivo.

Finalmente, chegamos ao conceito da inclusão. Percebeu-se que esse processo de integração das pessoas à sociedade deveria ser bi-direcional. A sociedade também deveria ser modificada de forma a criar condições iguais para todos os cidadãos exercerem seus direitos e deveres.

“A sociedade inclusiva tem como principal objetivo oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e auto-suficiente. Portanto, esta sociedade é democrática e reconhece todos os seres humanos como livres e iguais e com direito a exercer sua cidadania.“ Só com a sociedade inclusiva deixamos pra trás o pensamento arcaico de que as pessoas com deficiência tinham uma vida com possibilidades reduzidas, viviam sem perspectivas e eram uns pobres coitados dignos de dó.

Se pararmos pra pensar, nosso reconhecimento com cidadãos é muito recente! Mesmo com tantas mudanças, ainda escuto, com freqüência, frases como:

- “Coitada! Você trabalha o dia todo! Se fosse você, iria me aposentar e ficar à toa”;
- “O que ela vai querer comer?” – várias pessoas ainda se referem ao acompanhante ao invés de tratar diretamente com a pessoa com deficiência;
- “Nossa! Você tem dinheiro? Pensei que seu pai pagava suas contas!”;
- “Se fosse minha filha, não teria saído de casa pra não se machucar no mundo”;
- “Quem é o doido que colocou um anel de compromisso na sua mão?”;
- “Quem nada é o Cielo! Não tem como nadar sem mexer as pernas e ter força nos braços.”;
- “Olha, você é muito inteligente, bonita e gente boa, mas melhor sermos apenas amigos ou irmos tirando umas casquinhas um do outro, sem chance de compromisso!”;
- “Que pena! Não estamos preparados para recebê-la. Mas as reformas já estão previstas no projeto” – entra ano, sai ano, as coisas ficam no mesmo lugar! As reformas nunca saem do papel!
- “Já pensou quantas travessuras podemos fazer? Vai voar pedaço de cadeira pra todo lado!”.

Esses são apenas alguns exemplos das situações que enfrento diariamente. Meus amigos também passam por situações semelhantes. Sem sombra de dúvida, a situação já melhorou muito. Mas ainda há muito a ser feito. Por exemplo, no centro de BH, temos vários cadeirantes vendendo chocolate ou consertando guarda-chuva. Uma amiga, que trabalha na Coordenadoria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Prefeitura de Belo Horizonte, me disse que grande parte das pessoas com deficiência da cidade ‘está pendurada nos morros’ e que muitos preferem receber a aposentadoria que se arriscar em um emprego. Muitos acabam dando o dinheiro da aposentadoria para os familiares e aumentam sua renda na mendicância. Eu, particularmente, não dou dinheiro de jeito nenhum. Meu pai sempre fica sensibilizado quando vê algum deficiente pedindo esmola e não resisti; acaba dando algum dinheiro. Pouco a pouco, estou mudando essa mentalidade dele. Afinal, esmola não resgata a cidadania de ninguém e também não resolve o problema. Precisamos modificar/eliminar, sobretudo, as barreiras atitudinais. É muito mais fácil arrumar um saco de cimento e construir uma rampa, do que modificar pensamentos arcaicos e posturas preconceituosas sedimentadas ao longo de anos de exclusão e invisibilidade!

A quem possa interessar, as informações históricas foram retiradas da Cartilha “População com Deficiência no Brasil – Fatos e Percepções”, da FEBRABAN, publicada em 2006.

sábado, 11 de junho de 2011

Minha Princesa

Que milagre tem que acontecer
Para que você me encontre
Aquela estrela no céu tem que cair
Para poder te convencer
Não sentir a minha alma em paz
Quero escapar desse eterno crepúsculo

Muitas pessoas dizem que os homens nunca choram
Mas eu tinha que voltar à minha infância, mais uma
Vez
Fico imaginando
Que você ainda te amo e ficam sangrando as minhas feridas

Eu não posso te encher de jóias ou dinheiro,
Mas eu posso te dar um coração que é verdadeiro
Minhas asas ao vento, preciso do seu beijo
Venha comigo na viagem que não posso voar sozinho

E você sabe que é a princesa dos meus sonhos
Felizes
Quantas guerras já não lutei por ter você aqui ao meu lado
Eu não me canso de te procurar
Eu não me importaria de arriscar
Se, no final desta aventura eu conseguisse te conquistar

E pintei a minha princesa num quadro imaginário
Cantei no ruído sussurrando muito lentamente
Por tanto tempo eu afundei e não sei se não foi em vão,
Eu não parei de tentar
Porque eu acredito em milagres

Eu continuo andando no deserto do desejo
Eu perdi muitas madrugadas na memória
Experimentando o desespero
Morrendo de tristeza por não ver mudar esse
Destino

PUC Minas em Betim oferece cursos gratuitos para pessoas com deficiência

Até o dia 20 de junho, pessoas com deficiência física, visual, intelectual e/ou múltipla podem se inscrever, gratuitamente, para os cursos de Auxiliar Administrativo, Informática Básica, Informática Básica acessível para pessoas com deficiência visual (NVDA), Massagem Terapêutica e Drenagem Linfática. Ministrados na PUC Minas em Betim (Rua do Rosário, 1.081, bairro Angola), os cursos integram o Programa de Capacitação e Qualificação para o Trabalho, promovido pelo Núcleo de Direitos Humanos e Inclusão, vinculado à da Pró-reitoria de Extensão (Proex), em parceria com o Instituto Ester Assumpção. As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h, pelo telefone 3319-4082.

Os candidatos devem marcar uma entrevista, que será a primeira etapa do processo seletivo. As aulas serão ministradas a partir de agosto. Podem se candidatar pessoas com deficiência, que tenham idade igual ou superior a 16 anos.

O curso de Auxiliar Administrativo objetiva estimular o desenvolvimento de habilidades intelectuais e pessoais, contribuindo para maior integração dos participantes ao mercado de trabalho, principalmente no que se refere às práticas administrativas e financeiras. Os alunos aprendem a criar documentos, preencher formulários, lidar com clientes e colegas no ambiente de trabalho, elaborar demonstrações contábeis e manusear equipamentos de escritório. O curso de Informática Básica engloba domínio de teclado, Windows, Word, Excel e Internet. O curso de Massagem Terapêutica e Drenagem Linfática habilita os alunos para atuarem em clínicas de estética.

Para inscrições, ligue: (31) 3319-4082

Fonte: http://www.planetauniversitario.com

Liberados recursos para adequar as escolas a alunos com deficiência

Apenas 20% das escolas públicas de educação básica atendem critérios de acessibilidade a estudantes com deficiência. Dados do Censo Escolar de 2010 apontam quase 500 mil desses estudantes matriculados em unidades de ensino regular. Para adequá-las às necessidades dos alunos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) vai repassar recursos de R$ 100 milhões a 3.433 municípios.

Os recursos destinam-se, prioritariamente, à promoção da acessibilidade arquitetônica de 12.165 mil escolas públicas municipais, estaduais e do Distrito Federal. Podem ser aplicados, também, na aquisição de itens como cadeiras de rodas ou softwares específicos. “Trata-se de um apoio que a União oferece aos sistemas de ensino” disse a diretora de políticas de educação especial do Ministério da Educação, Martinha Clarete. “Apoio esse que está previsto em lei.”

A iniciativa tem o apoio do programa Escola Acessível. Este ano, serão atendidas as escolas que receberam sala de recursos multifuncionais em 2009 e registraram matrícula de estudantes com deficiência no Censo de 2010. Cada unidade de ensino pode receber recursos que vão de R$ 6 mil a R$ 9 mil, de acordo com o número de alunos. O dinheiro pode ser usado na aquisição de material para a construção de rampas, alargamento de portas, adequação de corredores, sanitários, bibliotecas e quadras de esportes. “Os estudantes com deficiência devem ter acesso a todas as dependências da escola”, ponderou a diretora.

A Escola Inclusiva faz parte do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que reduz a burocracia na transferência de recursos. Para recebê-los, as escolas devem elaborar plano de ações, a ser submetido à aprovação das secretarias de educação, observados os critérios e normas gerais de acessibilidade nas obras.

O repasse de recursos pelo FNDE às unidades de ensino está normatizado na Resolução nº 27, de 2 de junho de 2011, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 3, seção 1 página 51.

Fonte: http://www.planetauniversitario.com/

Mercado de trabalho ainda exclui pessoas com deficiência em Mato Grosso

Mato Grosso possui 81 pessoas com deficiências contratadas. O número é referente à fiscalização feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 1,913 mil empresas no Estado no primeiro quadrimestre deste ano. No mesmo período do ano passado, não houve nenhum registro mesmo com a vistoria a 1,488 mil estabelecimentos. Durante todo o ano de 2010, os 5,364 mil locais visitados apresentaram 47 contratações.

Essas pessoas possuem cotas reservadas nas empresas com mais de 100 funcionários. A Lei 8.213/91 assegura que 2% das vagas nas empresas com até 200 pessoas, 3% naquelas com 201 a 500, 4% quando o empregador possui entre 501 e 1000 funcionários e 5% nas com mais de 1001 colaboradores devem ser preenchidas por pessoas com deficiência.

Mesmo com a garantia legal, muitas pessoas nestas condições enfrentam grande dificuldade em buscar lugar no mercado de trabalho. "Os cadeirantes sofrem porque muitas empresas não aceitam adaptar prédios para nos receber, o que não é o caso do lugar onde trabalho", destaca a atendente Marília Dias da Silva, 28 anos. Na concessionária Trescinco há quase 2 anos, ela é uma das responsáveis pelo agendamento de revisões para os clientes.

No segundo emprego, Marília possui algo que a favorece na concorrência com outros PNE, carro próprio. "É muito difícil se locomover na cidade. Mesmo com ônibus adaptados os motoristas que operam o elevador não são devidamente preparados. Uma amiga minha, inclusive, caiu de um deles". A atendente se tornou cadeirante por conta de sequela da poliomielite, contraída quando tinha 1 ano de idade.

Se a estrutura física é um problema, o lado humano por sua vez é um fator importante para a inclusão do PNE no ambiente de trabalho. "Sou muito bem tratada aqui, como uma pessoa normal, tanto pela empresa quanto pelos colegas, que me recebem muito bem". A concessionária conta com 6 colaboradores, quantidade dentro da cota prevista em lei. "Estamos muito satisfeitos com o rendimento deles que é semelhante ao apresentado por pessoas sem deficiência. A única coisa que tivemos que fazer foi facilitar a locomoção deles na empresa. As atendentes, cadeirantes, ficam no piso inferior, sem necessidade de subir escadas", salienta a gerente de Departamento Pessoal da empresa, Carmem Araújo.

Outro exemplo de superação é o do auxiliar de mercearia do Supermercado Big Lar, George Oliveira Vasconcelos. Há 10 anos na empresa ele recentemente foi promovido ao posto. "Trabalhei por mais de 9 anos como empacotador e agora sou responsável por repor as mercadorias da seção e anotar os pedidos que devem ser feitos". Mesmo com dificuldade em se locomover e falar, o funcionário de 33 anos esbanja competência e é apontado por clientes como modelo de profissional.

Morando sozinho há 4 meses, Vasconcelos considera o emprego uma real oportunidade de aprendizado. "Aqui é uma escola para mim, um lugar em que conheço cada vez mais pessoas e onde fiz grandes amigos". Revela ser tratado como uma pessoa normal, "até porque não me vejo como um deficiente", e participa ativamente de todos os treinamentos promovidos pelo supermercado. Para chegar ao trabalho ele utiliza transporte coletivo.

As qualidades do auxiliar são reconhecidas também por seu superior, Elias Rodrigues de Almeida. "Ele tem um desempenho excelente, como qualquer outro colaborador. Pontual, está sempre disposto a ajudar as pessoas. Enfim, é alguém por quem temos um grande carinho".

Cumprir a cota estabelecida por lei é uma grande dificuldade para algumas empresas. Uma das maiores reclamações é a falta de qualificação e experiência para assumir funções na empresa. Pensando nisso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai/MT) criou o Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai). "Realizamos tudo o que for necessário para que esses alunos possuam condições de aprendizado semelhantes aos das pessoas sem deficiências", ressalta a coordenadora do Psai, Denise Torres Molina.

Além de adaptações, que incluem livros falados de informática para deficientes visuais e a contratação de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para aulas em que haja deficientes auditivos, o Programa isenta alunos interessados de qualquer pagamento, inclusive da mensalidade. "É uma meta de Responsabilidade Social incluir o maior número possível de PNE no mercado de trabalho". Com o trabalho, o Psai contribuiu para a formação de 350 pessoas no ano passado.

Há 23 anos trabalhando com pessoas especiais, Molina traçou um perfil comum ao PNE que busca qualificação. "Ele é uma pessoa ávida por aprender, com um desejo enorme de ser produtivo". Outro serviço prestado pelo programa é o da preparação de empresas para receber os PNE, com cursos de Libras voltados ao ramo de atividade. Para aqueles que buscam espaço no mercado e sonham em se destacar como como Marília e George, o auxiliar de mercearia dá o conselho. "É preciso se esforçar sempre, porque só assim se trabalha melhor. Somos capazes de fazer grandes coisas. Basta apenas que acreditem, e acima de tudo, acreditarmos em nós".

Fonte: http://www.sonoticias.com.br