Seu olhar magnífico como um luar
Onde eu encontro o paraíso que quero ficar
Tudo em você é perfeito
Tento te esquecer, mas não tem jeito
Quando estou com você, tudo é maravilhoso
Teu sorriso, teu olhar, tua boca, um leve gosto
Te quero comigo, como jamais quis,
Te quero minha linda, te quero fazer feliz.
Ao seu lado encontro a felicidade,
Longe de ti tudo é uma eternidade
Nada mais tem graça,
Ficar longe de você para mim é uma ameaça
Olho para o céu onde vejo você novamente,
Como sempre linda, deslumbrante,
Sempre sorrindo contente,
Aahh, como eu queria estar com você.
Será que um dia você vai voltar a ser minha??
Será que um dia vou voltar a ser feliz??
Será?
Essa é uma palavra que não sai da minha cabeça.
Cabeça essa que não pensa em mais nada a não ser você.
Minha morena, a mulher dos meus sonhos,
Morena esta que me fez feliz,
E que hoje está longe
Longe em corpo,
Pois sei que em mente, mora dentro de mim,
Será que pensas em mim??
Será que me desejas??
Será??
Será??
Ai, essa palavra me maltrata.
Essa palavra insiste em ficar na minha mente.
Hoje eu estou longe da moça que amo,
Não à culpo, pois a culpa foi minha,
Foi minha, a culpa de perdê-la,
Mas nada tenho a fazer a não ser esquecê-la.
Tarefa difícil que tenho de cumprir,
Cumprir??
Será que tenho mesmo??
Isso só ela me responderá.
Em meus sonhos, ela me deseja,
Em meus pensamentos, ela sente saudades,
Junto a mim, nada disso é verdade,
Junto a mim, tudo vai contra a felicidade,
Um dia fui atrás dela,
Um dia errado,
Onde seus pensamentos eram vagos,
Tudo em seus problemas, para mim nada sobrou.
Para mim sobrou sim, um “não”,
Um “não” que jamais esquecerei,
Um “não” que acabou com planos,
Planos estes, que desejo retomar.
segunda-feira, 14 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Motoristas estacionam carros em vagas de deficientes sem medo de serem multados
Não importa se é dia ou noite, motoristas ignoram a lei e estacionam em vagas exclusivas para deficientes físicos sem medo de levar multa. Os leitores Cristiano Guerra e Fernando Franco enviaram flagras da infração para o Eu-Repórter , a seção de jornalismo participativo do GLOBO. As fotos foram feitas no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e em Niterói, respectivamente.
Em seu relato, Guerra reforçou que havia outras vagas vazias no estacionamento do Via Parque no momento da foto. Ele questionou como a sociedade pode cobrar o funcionamento das leis se muitos cidadãos teimam em não respeitá-las.
"O 'cidadão' da foto estacionou na maior cara de pau na vaga destinada aos deficientes. Nem adesivo no pára-brisa ele tinha. Como podemos cobrar leis se não as cumprimos? Como podemos cobrar dos políticos corruptos se somos os primeiros a quebrar regras e ainda os colocamos no poder? Naquele dia tinham vagas de sobra e este ato foi simplesmente para ficar mais próximo à entrada do Via Parque.
Já Franco, que fotografou os carros na noite desta quinta-feira em Niterói, acrescentou que o veículo ocupava não somente uma, mas duas vagas exclusivas para deficientes.
"Esse Gol com placa de São Gonçalo, sem cartão ou adesivo de deficiente físico, ocupou por várias horas, impunemente, duas vagas de deficientes na Rua Almirante Teffé, perto do Plaza Shopping, em Niterói. Os agentes de trânsito da cidade não trabalham após 18h e a guarda municipal diz que não pode multar. Cada uma das duas vagas daquela rua, quase em frente à Receita Federal, é 40 centímetros menor do que um carro médio como o Corolla. Um absurdo", denuncia o leitor.
De acordo com o artigo 181 do Código de Trânsito (CTB), estacionar um veículo em desacordo com a sinalização, como placas de estacionamento, é infração leve, mas sujeita à perda de três pontos na carteira, aplicação de multa e remoção do veículo.
Em seu relato, Guerra reforçou que havia outras vagas vazias no estacionamento do Via Parque no momento da foto. Ele questionou como a sociedade pode cobrar o funcionamento das leis se muitos cidadãos teimam em não respeitá-las.
"O 'cidadão' da foto estacionou na maior cara de pau na vaga destinada aos deficientes. Nem adesivo no pára-brisa ele tinha. Como podemos cobrar leis se não as cumprimos? Como podemos cobrar dos políticos corruptos se somos os primeiros a quebrar regras e ainda os colocamos no poder? Naquele dia tinham vagas de sobra e este ato foi simplesmente para ficar mais próximo à entrada do Via Parque.
Já Franco, que fotografou os carros na noite desta quinta-feira em Niterói, acrescentou que o veículo ocupava não somente uma, mas duas vagas exclusivas para deficientes."Esse Gol com placa de São Gonçalo, sem cartão ou adesivo de deficiente físico, ocupou por várias horas, impunemente, duas vagas de deficientes na Rua Almirante Teffé, perto do Plaza Shopping, em Niterói. Os agentes de trânsito da cidade não trabalham após 18h e a guarda municipal diz que não pode multar. Cada uma das duas vagas daquela rua, quase em frente à Receita Federal, é 40 centímetros menor do que um carro médio como o Corolla. Um absurdo", denuncia o leitor.
De acordo com o artigo 181 do Código de Trânsito (CTB), estacionar um veículo em desacordo com a sinalização, como placas de estacionamento, é infração leve, mas sujeita à perda de três pontos na carteira, aplicação de multa e remoção do veículo.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Iniciativa visa difundir conhecimentos sobre o autismo e buscar alternativas para a inclusão social dessas pessoas e seus familiares.Publicada em 09 de março de 2011 - 09:00
O Deputado Estadual do Partido dos Trabalhadores, Alexandre Lindenmeyer, protocolou, em parceria com a ex-Deputada Cecília Hipólyto (PT), projeto de lei que institui a Semana Estadual do Autismo no Calendário de Eventos do Rio Grande do Sul.
“É um assunto que deve ser debatido para que possamos elaborar políticas públicas mais eficazes aos autistas”, diz Lindenmeyer sobre o projeto 70/2011.
Segundo o parlamentar, a iniciativa visa difundir conhecimentos sobre o autismo e buscar alternativas para a inclusão social dos portadores e seus familiares. “Infelizmente, ainda há muita falta de informação e preconceitos que devem ser desmistificados”, argumenta.
Cecília Hipólyto (PT) afirma que recebeu algumas reivindicações de pais e profissionais durante o mandato e por isso, decidiu apresentar o projeto ao deputado Alexandre. “Há pouquíssimo investimento nesta área e esse projeto é um ponto de partida para que possamos reivindicar melhorias”, ressalta.
A Semana Estadual do Autismo está prevista anualmente para a primeira semana de abril e acompanha as campanhas que as Nações Unidas promovem em prol dos autistas.
Escola municipal de educação especial
Nesta segunda-feira (28) Lindenmeyer se reuniu com a direção da Escola Municipal de Educação Especial Maria Lúcia Luzzardi de Rio Grande que atende atualmente cerca de 64 alunos autistas e portadores de síndromes associadas. O projeto está sendo apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa.
Fonte: http://www.jornalagora.com.br/
Este é o quarto ano do evento mundial, que pede mais atenção ao transtorno do espectro autista, que é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos.Publicada em 09 de março de 2011 - 17:15
Não foi à toa que a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), desde 2008. Este é o quarto ano do evento mundial, que pede mais atenção ao transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo), que é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos.
No Brasil, a data será lembrada com a iluminação em azul (cor definida para o autismo) de vários prédios e monumentos importantes, entre eles, o Cristo Redentor (no Rio de Janeiro) -- que acabou de inaugurar uma moderna iluminação de LED --, a Ponte Estaiada, o Monumento às Bandeiras e o Viaduto do Chá (todos em São Paulo) e o prédio do Senado em Brasília (outras ações podem ser vistas em http://RevistaAutismo.com.br/DiaMundial). No restante do mundo, outros importantes pontos acenderão sua "luz azul", como no ano passado o prédio Empire State, em Nova York (Estados Unidos) e a CN Tower, em Toronto, (Canadá).
O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças -- publicada no final de fevereiro último. No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.
No ano passado, um discurso do presidente dos Estados Unidos, no dia 2, lembrou a importância da data: "Temos feito grandes progressos, mas os desafios e as barreiras ainda permanecem para os indivíduos do espectro do autismo e seus entes queridos. É por isso que minha administração tem aplicado os investimentos na pesquisa do autismo, detecção e tratamentos inovadores - desde a intervenção precoce para crianças e os serviços de apoio à família para melhorar o suporte para os adultos autistas". Barack Obama ainda concluiu: "Com cada nova política para romper essas barreiras, e com cada atitude para novas reformas, nos aproximamos de um mundo livre de discriminação, onde todos possam alcançar seu potencial máximo".
No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e governantes para a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar pesquisas na área. Somente o diagnóstico precoce, e conseqüentemente iniciar uma intervenção precoce, pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para a seguir iniciarmos estatísticas na área e termos ideia da dimensão dessa realidade no Brasil. E mudá-la.
Vários níveis no espectro
O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) - também conhecido como transtorno global do desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro além de raros casos com diversas habilidades mentais, como a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) - atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein. Mas é preciso desfazer o mito de que todo autista tem um "superpoder". Os casos de genialidade são raríssimos.
A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento.
Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor. E vale destacar que o neurocientista brasileiro Alysson Muotri conseguiu um primeiro passo para uma possibilidade futura de cura, em seu trabalho na Califórnia (EUA). Ele curou um neurônio autista em laboratório e trabalha no progresso de sua técnica na Universidade de San Diego. Tão importante quanto descobrir a cura, é permitir que os autistas de hoje sejam incluídos na sociedade e tenham mais qualidade de vida e respeito.
Fonte: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br
Encontro discute a educação para pessoas com deficiência auditiva
O encontro acontece em 25/03, em São José dos Campos. O tema será 'A Educação para surdos – desafios e perspectivas'.Publicada em 09 de março de 2011 - 14:30
Estão abertas as inscrições para o 2º Encontro "Surdos em Contexto", que esse ano abordará o tema "A educação para surdos - desafios e perspectivas". O encontro acontece no dia 25 de março, a partir das 18h30, no Centro de Educação Empreendedora (Cedemp), em São José dos Campos.
O desafio da educação dos surdos e as perspectivas para a área serão expostos em um painel que terá a participação de Maria Inês da Silva Vieira, mestre em educação, e da assessora da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Geni Fávero. Após o painel haverá um debate sobre o tema.
O encontro é aberto aos profissionais da área de educação, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, acadêmicos e ao público, que se interessa pelo tema. O evento é uma parceria entre a Prefeitura de São José dos Campos, Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo (AADA), Primeira Igreja Batista (PIB) e a Pastoral dos Surdos.
O destaque da abertura será a execução do Hino Nacional em Língua Brasileira de Sinais (Libras), feita por surdos de diversas entidades da cidade. Em seguida os membros da PIB, farão uma apresentação de dança também em Libras.
As vagas são limitadas e os interessados devem se inscrever gratuitamente até o dia 22 de março.
Informações e Inscrições: (12) 3947-8806 / (12) 3947-8736
Local: CEDEMP - Rua Tsunessaburo Makiguti, 157 - Bairro Floradas - São José dos Campos (Próximo ao Cephas, no Jardim Satélite)
Fonte: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Depois de passar fome, Waiãpi é a primeira mulher indígena a virar militar no Brasil
Do interior da floresta amazônica, aos 14 anos, ela resolveu ir para a cidade, mendigou e passou fome, aprendeu a ler e foi condecorada com diversas medalhas de literatura. Estudou artes, foi atleta, virou fisioterapeuta e cursa hoje a terceira graduação em saúde. Essa é a trajetória de Silvia Nobre Waiãpi que, aos 35 anos, tornou-se a primeira militar indígena a integrar as Forças Armadas no Brasil, no último dia 3 de fevereiro.
A índia disputou uma vaga com 5.000 candidatos e foi aprovada com uma das melhores pontuações no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro, onde concluiu o treinamento e hoje serve no Hospital Central do Exército como aspirante. Depois de seis meses, será promovida a 2º tenente.
Primeira mulher indígena a virar militar no Brasil
“Eu queria estudar, mas enquanto mulher indígena era muito difícil”, contou ao UOL Notícias. Natural do Estado do Amapá, Silvia nasceu na aldeia da etnia Waiãpi no Parque Indígena do Tumucumaque, extremo norte do país, na fronteira com a Guiana Francesa. Os cerca de 700 Waiãpi que existem hoje ocupam, há mais de dois séculos, os confins da Amazônia brasileira, entre os rios Jari, Oiapoque e Araguari. Da aldeia ao centro urbano mais próximo são, pelo menos, dois dias de viagem de estrada de terra batida e barco.
Silvia conta que, aos 4 anos, sofreu um grave acidente e ficou hospitalizada por meses na capital Macapá. “Aproveitei para estudar”, afirma.
A índia se tornou mãe aos 13 anos, decidiu abandonar a aldeia e se mudar para o Rio de Janeiro. “Vim sozinha. Não conhecia ninguém, dormi nas ruas por alguns meses. Eu tinha uma pedra, que acreditava que era sagrada, e a vendi para comer. Com aquele dinheiro eu consegui comer uns dois dias. Depois comecei a vender livros de porta em porta”, lembra.
Ainda adolescente, Silvia começou a declamar poesias e diz que foi incentivada a escrever pela Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio (APPERJ). Ela resolveu estudar artes e ganhou prêmios por seus poemas: a medalha Cultural Castro Alves, a medalha Monteiro Lobato e também um prêmio de jovem escritora da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul.
“Eu a conheci novinha, lembro perfeitamente daquele período. Era muito esperta, ativa e simpática. Eu tinha um carinho enorme por ela”, conta Messody Benoliel, uma das sócias fundadoras da (APPERJ). Hoje, aos 77 anos, Messody lembra que, no início dos anos 90, Silvia frequentava os encontros literários todas as terças-feiras, em Copacabana. “Eu a considero uma profissional. Ela entrava no palco e declamava muito bem as poesias.” Os poemas, lembra, falavam sobre temas da floresta. A última vez que as duas se encontraram foi num evento em 2010. “Para mim é uma surpresa saber que a Silvia é a primeira índia no Exército”, disse.
Da arte para o esporte
O esporte foi a paixão seguinte da indígena. Disposta a aprender a correr, ela foi motivada por um técnico do clube Vasco da Gama. “Me apaixonei pelo esporte”, disse Silvia, que deixou as artes e direcionou os estudos para a área da saúde e fisioterapia ligada ao esporte.
“Não me causa espanto que ela tenha sido a primeira índia a entrar para o corpo das Forças Armadas”, disse ao UOL Notícias Cristiano Viana Manoel, 27, fisioterapeuta que durante quatro anos acompanhou de perto a trajetória de Silvia como atleta. “Nos conhecemos na concentração de atletas que o clube tinha em Teresópolis. Éramos sete homens e três mulheres e uma rotina intensa de treinamento. A Silvia se dedicava muito tentando se superar. Eu digo superação porque, na época, ela sofria de problemas de saúde e às vezes passava mal e até chegava a desmaiar nas competições.”
O caminho dos colegas voltou a se cruzar em 2003, quando estudaram fisioterapia juntos na Unisuam (Centro Universitário Augusto Motta), no Rio. Lá eles formaram uma equipe de atletas que recebiam bolsa da universidade para competir. De atleta, Silvia passou a ser coordenadora da equipe de atletismo na universidade. “Nós fomos tricampeões no circuito esportivo da Universidade de São Paulo, conhecido como a Volta da USP em 2003, 2004 e 2005”, relembra Cristiano.
Aprovada na Marinha e Exército
O contato de Silvia com o mundo militar se deu quando trabalhava como fisioterapeuta e acompanhava um grupo de fuzileiros navais. Resolveu concorrer à carreira de militar e prestou concurso em 2009, quando foi reprovada. Tentou pela segunda vez, no ano seguinte, a Marinha e o Exército.
“Fui aprovada nos dois e escolhi o Exército. A seleção foi dura, fui convocada para fazer prova oral, teve análise de títulos e currículo, depois fiz um teste físico”, afirma.
Na formação de 45 dias para ser oficial do Exército, Silvia era uma das 37 mulheres no treinamento. Hoje, ela divide o seu tempo no Exército, em cursos de especialização em saúde pública na UFF (Universidade Federal Fluminense), gênero e sexualidade na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e está começando agora a cursar a sua terceira graduação, em gestão hospitalar numa universidade particular.
Retorno para a aldeia
Desde que deixou sua aldeia, Silvia voltou apenas quatro vezes para visitar o povo Waiãpi. A última vez foi há sete anos. “É muito longe e caro. Cada vez que vou lá é uma surpresa. Às vezes a gente se fala por telefone quando eles estão numa outra aldeia de povos amigos, que tenha sinal de telefone.”
Na sua aldeia, nem todos os índios sabem falar português e os mais velhos “preferem não saber o português”.
Silvia acredita que carrega a responsabilidade de “abrir espaços ainda não alcançados”. Como colaboradora do Conselho Nacional da Mulher Indígena (Conami), ela defende o fortalecimento da expressão dos povos indígenas. “Quero abrir uma nova ponte para mulheres índias no Brasil, não só nas Forças Armadas, mas em outros segmentos. Já tenho amigas que disseram que agora vão se preparar para entrar nas forças.”
Hoje, Silvia vive com seus três filhos e uma neta de quatro meses no Rio de Janeiro. Ela casou recentemente com um militar do Exército. Quando veio ao Rio, a índia já era mãe de Ydrish, hoje com 22 anos e estudante de farmácia. Depois, aos 15 anos, Silvia teve Tamudjim, que cursa direito, e, cerca de dois anos depois, teve Yohana, que está começando a estudar relações internacionais.
A índia disputou uma vaga com 5.000 candidatos e foi aprovada com uma das melhores pontuações no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro, onde concluiu o treinamento e hoje serve no Hospital Central do Exército como aspirante. Depois de seis meses, será promovida a 2º tenente.
Primeira mulher indígena a virar militar no Brasil
“Eu queria estudar, mas enquanto mulher indígena era muito difícil”, contou ao UOL Notícias. Natural do Estado do Amapá, Silvia nasceu na aldeia da etnia Waiãpi no Parque Indígena do Tumucumaque, extremo norte do país, na fronteira com a Guiana Francesa. Os cerca de 700 Waiãpi que existem hoje ocupam, há mais de dois séculos, os confins da Amazônia brasileira, entre os rios Jari, Oiapoque e Araguari. Da aldeia ao centro urbano mais próximo são, pelo menos, dois dias de viagem de estrada de terra batida e barco.
Silvia conta que, aos 4 anos, sofreu um grave acidente e ficou hospitalizada por meses na capital Macapá. “Aproveitei para estudar”, afirma.
A índia se tornou mãe aos 13 anos, decidiu abandonar a aldeia e se mudar para o Rio de Janeiro. “Vim sozinha. Não conhecia ninguém, dormi nas ruas por alguns meses. Eu tinha uma pedra, que acreditava que era sagrada, e a vendi para comer. Com aquele dinheiro eu consegui comer uns dois dias. Depois comecei a vender livros de porta em porta”, lembra.
Ainda adolescente, Silvia começou a declamar poesias e diz que foi incentivada a escrever pela Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio (APPERJ). Ela resolveu estudar artes e ganhou prêmios por seus poemas: a medalha Cultural Castro Alves, a medalha Monteiro Lobato e também um prêmio de jovem escritora da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul.
“Eu a conheci novinha, lembro perfeitamente daquele período. Era muito esperta, ativa e simpática. Eu tinha um carinho enorme por ela”, conta Messody Benoliel, uma das sócias fundadoras da (APPERJ). Hoje, aos 77 anos, Messody lembra que, no início dos anos 90, Silvia frequentava os encontros literários todas as terças-feiras, em Copacabana. “Eu a considero uma profissional. Ela entrava no palco e declamava muito bem as poesias.” Os poemas, lembra, falavam sobre temas da floresta. A última vez que as duas se encontraram foi num evento em 2010. “Para mim é uma surpresa saber que a Silvia é a primeira índia no Exército”, disse.
Da arte para o esporte
O esporte foi a paixão seguinte da indígena. Disposta a aprender a correr, ela foi motivada por um técnico do clube Vasco da Gama. “Me apaixonei pelo esporte”, disse Silvia, que deixou as artes e direcionou os estudos para a área da saúde e fisioterapia ligada ao esporte.
“Não me causa espanto que ela tenha sido a primeira índia a entrar para o corpo das Forças Armadas”, disse ao UOL Notícias Cristiano Viana Manoel, 27, fisioterapeuta que durante quatro anos acompanhou de perto a trajetória de Silvia como atleta. “Nos conhecemos na concentração de atletas que o clube tinha em Teresópolis. Éramos sete homens e três mulheres e uma rotina intensa de treinamento. A Silvia se dedicava muito tentando se superar. Eu digo superação porque, na época, ela sofria de problemas de saúde e às vezes passava mal e até chegava a desmaiar nas competições.”
O caminho dos colegas voltou a se cruzar em 2003, quando estudaram fisioterapia juntos na Unisuam (Centro Universitário Augusto Motta), no Rio. Lá eles formaram uma equipe de atletas que recebiam bolsa da universidade para competir. De atleta, Silvia passou a ser coordenadora da equipe de atletismo na universidade. “Nós fomos tricampeões no circuito esportivo da Universidade de São Paulo, conhecido como a Volta da USP em 2003, 2004 e 2005”, relembra Cristiano.
Aprovada na Marinha e Exército
O contato de Silvia com o mundo militar se deu quando trabalhava como fisioterapeuta e acompanhava um grupo de fuzileiros navais. Resolveu concorrer à carreira de militar e prestou concurso em 2009, quando foi reprovada. Tentou pela segunda vez, no ano seguinte, a Marinha e o Exército.
“Fui aprovada nos dois e escolhi o Exército. A seleção foi dura, fui convocada para fazer prova oral, teve análise de títulos e currículo, depois fiz um teste físico”, afirma.
Na formação de 45 dias para ser oficial do Exército, Silvia era uma das 37 mulheres no treinamento. Hoje, ela divide o seu tempo no Exército, em cursos de especialização em saúde pública na UFF (Universidade Federal Fluminense), gênero e sexualidade na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e está começando agora a cursar a sua terceira graduação, em gestão hospitalar numa universidade particular.
Retorno para a aldeia
Desde que deixou sua aldeia, Silvia voltou apenas quatro vezes para visitar o povo Waiãpi. A última vez foi há sete anos. “É muito longe e caro. Cada vez que vou lá é uma surpresa. Às vezes a gente se fala por telefone quando eles estão numa outra aldeia de povos amigos, que tenha sinal de telefone.”
Na sua aldeia, nem todos os índios sabem falar português e os mais velhos “preferem não saber o português”.
Silvia acredita que carrega a responsabilidade de “abrir espaços ainda não alcançados”. Como colaboradora do Conselho Nacional da Mulher Indígena (Conami), ela defende o fortalecimento da expressão dos povos indígenas. “Quero abrir uma nova ponte para mulheres índias no Brasil, não só nas Forças Armadas, mas em outros segmentos. Já tenho amigas que disseram que agora vão se preparar para entrar nas forças.”
Hoje, Silvia vive com seus três filhos e uma neta de quatro meses no Rio de Janeiro. Ela casou recentemente com um militar do Exército. Quando veio ao Rio, a índia já era mãe de Ydrish, hoje com 22 anos e estudante de farmácia. Depois, aos 15 anos, Silvia teve Tamudjim, que cursa direito, e, cerca de dois anos depois, teve Yohana, que está começando a estudar relações internacionais.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Obesa ganha indenização após constrangimento em ônibus no RS
Imagem IlustrativaUma passageira obesa que não conseguia passar pela catraca do ônibus ganhou indenização de R$ 3.000 na Justiça após ter sido impedida pelo motorista de descer pela porta da frente. A decisão é da 3ª turma recursal de juizados especiais em São Leopoldo (RS).
Em depoimento à Justiça, a dona de casa Vania Denize Felten, 54, disse que fazia o mesmo trajeto todos os dias e costumava descer pela porta da frente, mas naquele dia teve o acesso negado pelo motorista. O problema ocorreu em 24 de outubro de 2009.
'Já era costumeiro eu descer pela porta da frente, mas nesse dia o motorista fechou a porta. E disse pra mim que no carro dele só quem descia pela frente era idoso e que se eu comesse menos eu passava na roleta', conta.
Ela também afirmou que foi alvo de piadas dos passageiros que estavam no ônibus da Viação Sinoscap. Conforme depoimento de testemunhas, um homem que estava ao lado do motorista e aparentava ser funcionário da empresa também insultou a passageira.
Após momentos de discussão, o motorista resolveu deixar que ela desembarcasse pela porta da frente. Uma passageira que esperava para embarcar contou à Justiça que, assim que a mulher saiu, outro passageiro gritou pela janela: 'Feche a boca, gorda'.
A decisão foi tomada no final de janeiro deste ano. A mulher deve receber uma indenização no valor de R$ 3.000 por danos morais.
O advogado de Vania, Alessandro Becker, comemorou a decisão. 'Já tínhamos ganhado o processo, mas a empresa de transporte recorreu e o tribunal manteve a decisão. O valor da indenização é irrisório, mas o erro foi reconhecido e a justiça foi feita', disse.
A Folha tentou entrar em contato com a Viação Sinoscap, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
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