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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Intercâmbio de ideias

A evolução do esporte paraolímpico brasileiro, os projetos do CPB (Ouro, Clube Escolar Paraolímpico, Academia Paraolímpica) bem como o aumento no número da cobertura midiática foram alguns dos assuntos pautados na reunião que ocorreu na manhã desta sexta-feira, 28, no Comitê Paraolímpico Brasileiro.

O Assessor de Relações Institucionais do CPB, Luiz Garcia, apresentou os dados do salto no quadro de medalhas dos Jogos Paraolímpicos bem como os projetos do CPB ao Diretor de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido (FCO), Andrew Whyte, o Gerente de Diplomacia Pública e Campanhas Estratégicas do FCO, Andrew Pike, Philip Everest; 3º secretário da Embaixada da Grã Bretanha; e Glauco Paiva, do Consulado Britânico.

No início da reunião, foi apresentado um vídeo sobre a participação nacional nas Paraolimpíadas de Pequim. No geral, o encontro foi uma troca de experiências e intercâmbio de ideias onde foram apresentadas perspectivas brasileiras em relação à participação em Londres 2012 bem como os desafios da organização para as Paraolimpíadas do Rio 2016. Os britânicos também expuseram o panorama geral do andamento das ações para os Jogos de Londres.

Outro assunto amplamente discutido foi o legado que Londres deixará para atletas e público após a realização dos Jogos, um dos principais objetivos da campanha do FCO.

“Sabemos que a visão de Londres após 2012 pode ser transformada, além dos benefícios econômicos e culturais que a cidade pode ganhar. Queremos que tanto a população e público quanto os atletas se sintam bem na realização da competição. Para isso, vamos nos empenhar e trabalhar para que a cidade seja acessível a todos – tanto olímpicos quanto paraolímpicos. Isso inclui melhorias no transporte e nas construções em si”, explanou Whyte.

Garcia apresentou, também, um pouco das estratégias do CPB, que pulou do 24º lugar nos Jogos de Sydney para o nono lugar em Pequim. O patrocínio das Loterias CAIXA, a Lei Agnelo Piva e a compra de direitos de transmissão – que ajudaram a consolidar o esporte paraolímpico- foram alguns dos itens expostos na reunião.

Desde esta quinta-feira, 27, o CPB e a Embaixada da Grã Bretanha participam de reuniões em conjunto.

“Esse encontro faz parte de uma ação ampla que visa tanto a preparação para os Jogos de 2012 quanto a organização das Paraolimpíadas do Rio, em 2016. Além disso, tratamos nessas reuniões de assuntos que são importantes para as pessoas com deficiência”, disse Mizael Conrado, vice presidente do CPB, após a reunião de quinta-feira.

No próximo mês, 14 de fevereiro, ocorrerá em Brasília o “Conexão Paraolímpica”, com objetivo de destacar a importante relação entre esportes e reabilitação e o nascimento do movimento paraolímpico. Estarão presentes a diretoria do Rede Sarah e do Hospital Stokemandeville.

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Ações do documento

Circuito Brasil Paraolímpico 2011

O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), por intermédio do seu Departamento Técnico (DITEC), abre as inscrições para as Etapas Regionais do Circuito Brasil Paraolímpico de Atletismo, Halterofilismo e Natação 2011 a serem realizadas nas cidades de Fortaleza/CE, Curitiba/PR, Brasília/DF e Campinas/SP, nos períodos de 18 a 20 de março, 22 a 24 de abril, 27 a 29 de maio e 24 a 26 de julho, repectivamente. Os prazos para as inscrições de cada Etapa Regional estão disponibilizados no Regulamento Geral do evento, disponível na página do Circuito Brasil Paraolímpico que pode ser acessado pelo link http://www.cpb.org.br/esportes/circuito-brasil-paraolimpico, assim como os demais documentos relevantes.

O procedimento para acesso ao formulário on-line de inscrição permanece o mesmo do ano de 2010. Basta acessar o link http://www.cpbextranet.org.br/ e entrar no sistema com login e senha.

Caso algum clube ou associação esteja interessado em participar das Etapas Regionais do referido evento, mas ainda não possui cadastro validado pelo CPB, este deverá entrar em contato com o DITEC para obter as devidas orientações. Estas também permanecem as mesmas do ano passado, isto é, deverão seguir as exigências do Regulamento de Cadastro de Clubes e Atletas (acesse aqui).

Para esclarecimento de dúvidas, o DITEC coloca-se à disposição no telefone (61) 3031-3030.

Etiqueta em braile deixa moda mais acessível


A inclusão social está desembarcando na moda brasileira. Uma etiqueta de roupa especial, com informações do produto em braile, foi lançada recentemente na Première Brasil, maior salão Têxtil da América Latina. A iniciativa parte de uma das grandes empresas do setor, a Haco, que durante dois anos pesquisou a funcionalidade e viabilidade do produto com a Associação dos Cegos do Vale do Itajaí (Acevali).

A empresa arredondou a ideia, que já pipocava no mercado entre pequenos confeccionistas, possibilitando agora sua aplicação em grande escala. Isso significa que grupos com representação no mercado nacional, como uma Hering, têm meios de incorporá-lo. Ainda não há lei que obrigue as empresas a adotar a etiqueta em braile - somente projetos em discussão no Congresso -, mas ter a infraestrutura para que isso aconteça é um começo. "Trata-se de um jeito informal para que a etiqueta vire um padrão", diz Geraldo Lima, professor da Faculdade de Moda da Universidade Anhembi Morumbi.

Em 2003, Lima pesquisou durante quase um ano em institutos como o Dorina Nowill e o Padre Chico sobre as necessidades do consumidor cego. A partir daí, numa atitude pioneira, incluiu em todas as peças de sua confecção, a Urânio, uma etiqueta emborrachada em braile que descreve a cor do produto. "Mesmo quem não enxerga consegue perceber informações como textura e modelo. E se você adiciona muita informação, a etiqueta fica enorme, porque o braile ocupa mais espaço do que as letras do nosso alfabeto."

Modelo. A etiqueta da Haco pretende ser um de tamanho regular. O confeccionista escolhe o material - tecido, borracha e tag de papel craft - e as informações que quer adicionar em braile. Mas há outros tipos no mercado. A grife Virgemaria criou uma transparente, que vem com um adesivo em PVC, para que o cliente possa aplicá-la na parte da roupa que quiser. "Ainda colocamos na frente um bordado para ajudar o cego a distinguir um lado do outro."

A Virgemaria fez o teste com a etiqueta no ano passado. "Fiquei convencida de que o investimento valia a pena quando uma cliente que não enxergava vibrou de felicidade com a novidade", conta Ana Pasternak, de 38 anos, estilista da marca. "Ela disse que agora poderia, pela primeira vez, comprar roupa sem a ajuda de uma amiga ou parente. Representava sua independência."

Acessibilidade. "Não é apenas o deficiente que fica de fora da moda", diz Ana. "Há muitas pessoas que não se encaixam no padrão do mercado, seja pelo peso ou pela altura." No ateliê da grife, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, os modelos são desenvolvidos com base na estética e na funcionalidade. Camisas com botão de pressão, uso de elástico em calças e tantos outros detalhes que facilitam o uso por pessoas que tenham qualquer tipo de deficiência.

Até pontos de vendas descolados, como a Galeria Mundo Mix, nos Jardins, embarcaram na ideia da roupa acessível. Há um mês, as prateleiras da loja receberam a nova coleção Easy Put, resultado da parceria entre o Instituto Mara Gabrilli e a marca Hey!U. A coleção começou com camisetas (de R$ 35 a R$ 50), vendidas com duas etiquetas, uma normal de tecido e outra em braile, de papel, com o tamanho, a cor e a estampa do modelo.

Como o papel é destacável do produto, as mesmas informações foram colocadas na barra, com strass. "O total arrecadado vai para o Instituto Mara Gabrilli desenvolver uma coleção de roupas acessíveis", diz Beto Lago, dono da Galeria Mundo Mix. "Virei parceiro do projeto porque pretendo que a loja vire referência para todos os movimentos da moda. E a inclusão social é um deles", afirma.

Não cometa gafes
Ao encontrar um cego em um cruzamento, ofereça ajuda, mas pergunte como fazer isso. Antes de guiá-lo, deixe que ele pegue em seu braço, e não o contrário. Seja preciso ao indicar locais. Não diga que está logo ali. Nas lojas, os vendedores costumam se dirigir ao acompanhante do deficiente visual, como se ele não pudesse decidir. Os cegos reclamam disso.

Fonte: http://www.estadao.com.br/ e http://www.deficienteciente.com.br/

Brasil é 3º no Mundial de Atletismo

O Brasil confirmou seu excelente desempenho no Campeonato Mundial Paraolímpico de Atletismo e encerrou a competição neste domingo, 30, com uma prata e um bronze na maratona T46. Tito Sena, campeão mundial e medalhista paraolímpico, chegou em segundo na prova de Christchurch/Nova Zelândia. Ozivam Bonfim conquistou a última vaga no pódio. O ouro ficou com o mexicano Mario Santillan Hernandez. Com o resultado, o Brasil ultrapassou a Grã Bretanha em número de pratas e terminou o Mundial em terceiro no quadro geral de medalhas, atrás apenas de China e Rússia. 17 atletas dos 25 que defenderam o país subiram ao pódio.

“Essa posição mostra a força do atletismo paraolímpico brasileiro. Mais de dois terços dos atletas da seleção brasileira estão entre os três primeiros do mundo”, destacou o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons.

A meta da comissão técnica era pelo menos igualar ao resultado das Paraolimpíadas de Pequim 2008, quando o País ficou em 10º, com 15 medalhas, quatro delas de ouro. O resultado foi muito melhor.

“O crescimento técnico em relação ao último Mundial e às Paraolimpíadas foi grande. Isso é fruto da nossa estratégia de trazer um número menor de atletas. Assim conseguiríamos prepará-los melhor e teríamos maior qualidade”, explicou o diretor técnico do CPB, Edílson Rocha Tubiba.

O terceiro lugar no quadro de medalhas reflete o crescimento do atletismo paraolímpico brasileiro e traz mais responsabilidades para o País nas próximas competições.

“Disputamos a terceira posição com a Grã Bretanha, que receberá as Paraolimpíadas ano que vem e tem tido investimento. Isso significa que estamos fortes. Temos que transformar essa oportunidade de sediar uma Paraolimpíada para investir também. Temos áreas que ainda estão descobertas”, ressaltou Parsons.

“O Brasil é hoje uma das potências do Esporte Paraolímpico. Agora, todo mundo quer nos superar. Por isso precisamos aumentar a base de medalhistas. Temos que consolidar algumas provas e investir na renovação”, justificou Tubiba.

Uma das áreas de deficiência que se destacou, na avaliação do diretor técnico do CPB, foi a de pessoas com deficiência física, que conquistou sete medalhas.

“Temos os cegos mais rápidos do mundo, tanto no masculino quanto no feminino. Mas o Brasil já tem tradição nessa área. Neste mundial vale destacar a recuperação de resultados entre os deficientes físicos: tivemos o Yohansson e o Alan, jovens talentos, como representantes desse segmento”, explicou Tubiba.

Terezinha é a grande campeã. Mulheres crescem
As mulheres também se destacaram na delegação brasileira neste mundial. Terezinha Guilhermina conquistou quatro medalhas douradas e foi um dos principais nomes da competição.

“Isso é uma coroação especial porque trabalhei muito para chegar aqui. Eu me prometi que neste Mundial não erraria. Fechar com as quatro medalhas de ouro mostrou que consegui chegar ao meu 100% e, mais importante, que consegui fazer o meu melhor em cada prova”, comemorou Terezinha.

Além disso, em Christchurch as mulheres brasileiras foram responsáveis por nove medalhas, o maior número até aqui. Em Pequim 2006 elas subiram ao pódio oito vezes e no Mundial de Assen, em 2006, apenas cinco. A evolução é resultado de um trabalho constante desenvolvido pelo CPB.

"O Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) tem por meta desenvolver o esporte para pessoas com deficiência severa, os casos mais graves, e o esporte para mulher. No CPB não é diferente. O Circuito está sendo uma ferramenta muito importante para o surgimento de novas atletas. Agora elas têm competições o ano todo para se manter treinando e motivadas", explicou o diretor técnico do CPB, Edílson Rocha Tubiba.

"Chegamos a ter cotas de convocação de mulheres em nossas delegações. Dos 30 nomes, por exemplo, 12 tinham que ser do sexo feminino. Em algumas modalidades ainda precisamos desse incentivo, mas o atletismo mostrou sua rápida evolução. Todas as atletas que vieram ao Mundial foram por índice próprio. E os resultados mostram a qualidade delas", justificou o diretor técnico.

Fonte: http://www.cpb.org.br/
Foto: Beto Monteiro-Exemplus/CPB

Aprovado valor limite para carro adaptado

O valor dos veículos adaptados para portadores de deficiência não poderá ultrapassar mais de 10% do valor de um veículo convencional equivalente. A proposta foi aprovada na última semana pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.
O projeto aprovado (PL 2190/07) é um substitutivo do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP) ao texto original, do deputado Márcio França (PSB-SP). Pela proposta, as montadoras devem conceder aos veículos adaptados as mesmas garantias oferecidas aos veículos convencionais.
A medida ainda será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Casa.
Obrigatoriedades
O projeto de lei ainda estabelece outras obrigatoriedades às montadoras, como a de produzir, no mínimo, três veículos adaptados a pessoas com deficiências a cada mil veículos fabricados, de cada modelo ofertado.
Todas as obrigações previstas na proposta valem tanto para as montadoras como para as importadoras de veículos ou empresas especializadas na instalação de kits de adaptação.
Para Ubiali, a medida tem a intenção de garantir a disponibilidade de veículos adaptados às pessoas que podem e querem comprar carros novos. Ele ainda lembra de outros incentivos para que os portadores de deficiências possam adquirir um veículo, como a isenção de IPI (Imposto de Produtos Industrialiados) a que tem direito esse tipo de veículo.
A medida tramita em caráter conclusivo, ou seja, não precisa ser votado em Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-la.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE: SOB A ÓTICA DE UM CADEIRANTE

O debate sobre o fenômeno exclusão/inclusão e acessibilidade encontra-se na pauta do dia. Partidos políticos, sindicatos, órgãos governamentais e órgãos não governamentais, Secretárias Públicas, escolas, sociedade, entre outros, dedicam parte de sua agenda a esta discussão. No entanto, falar em acessibilidade e inclusão não basta é preciso ação, visto que do ponto de vista particular, a pessoa com deficiência, por ser diferente, sempre encontrou dificuldades de participação na vida social, não só por enfrentar o preconceito, o isolamento com a diminuição das relações sociais e familiares e o estigma por parte da comunidade, mas também pela carência de políticas públicas que facilitem seu acesso ao transporte, à moradia, aos serviços de saúde, à educação, enfim, as necessidades básicas que os cidadãos têm direito.
A falta de acesso dificulta a sua participação e, conseqüentemente, reduz a sua condição de cidadania, limitando a possibilidade de uma maior convivência social. Assim, num ciclo vicioso, as pessoas com necessidades especiais se isolam e a sociedade não convive com a diferença no seu dia-a-dia, fazendo com que essas características se mantenham marginalizadas.
A marginalização é oriunda da forma com que a sociedade se estrutura (e estrutura social é uma questão política) logo, a solução para ela poderá ser encontrada apenas entre alternativas técnicas. A terminologia pessoa portadora de deficiência é uma referência que se faz a uma pessoa que possui anormalidade adquirida ou congênita.
Logo, a construção de uma verdadeira sociedade inclusiva passa também pelo cuidado com a linguagem. Na linguagem se expressa, voluntariamente ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiências. Falar de sociedade inclusiva leva-se destacar a Constituição Federal/88 em seu art. 5º caput, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]”.
Ora se todos são iguais perante a lei estaria implícito aí que cabe aos poderes públicos constituídos criar mecanismos que garantam esses direitos a todos os cidadãos. Recorre-se também aos ensinamentos de Werneck2 (2005, p. 50), quando traz o conceito de sociedade inclusiva desta forma: “Uma sociedade inclusiva deve ser capaz de contemplar todas as condições humanas e encontrar meios para que cada indivíduo, do mais “privilegiado” ao mais “vulnerável”, por qualquer razão e ponto de vista, tenha o direito de contribuir com seu melhor talento para o bem comum (grifos da autora)”.
Percebe-se nessas palavras que uma sociedade verdadeiramente inclusiva está muito aquém da realidade brasileira. Destarte, por desenvolvimento inclusivo pressupõe a idéia de uma distinção que supera o plano individual, portanto os direitos inerentes ao cidadão devem ser estendidos a todos que dele necessita.
Direitos esses que não pode ser traduzido em justiça social efetiva, pois a realidade presenciada nas cidades com suas barreiras intransponíveis, bem como em repartições públicas ou privadas não contempla a acessibilidade dos seus cidadãos. E, de fato, não existe nada que oprima mais a vida de uma PPD do que o pesadelo de se deparar com as malfadadas barreiras arquitetônicas. Degraus, portas giratórias ou estreitas, balcões e bilheterias altas, catracas na entrada de espetáculos, são apenas alguns dos obstáculos intransponíveis que retiram a independência da PPD. O mais interessante é que existem normas que norteiam a implementação das mudanças ambientais, de forma a eliminar as barreiras arquitetônicas. As normas são estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, na NBR 9050, de Setembro de 1994. ABNT: www.abnt.org.br.
Na Constituição de 1988, a mesma prevê, inclusive, a adaptação e acessibilidade dos prédios públicos já existentes (arts. 227, § 2º, e 244 da CF/88). “O que surpreende, pois, é o total descaso das autoridades para com a questão e o desrespeito explícitos aos mandamentos legais” (DIAS, 1998)3.
O que se deve esperar, então, dos prédios particulares e das instalações das empresas privadas?! Se os administradores públicos não oferecem condições favoráveis a essa realidade, o que se pode exigir dos empresários?! Difícil enfrentar o problema, enquanto não se tiver pessoas conscientes, aptas e preparadas para enfrentá-lo; enquanto os paradigmas não forem substituídos e os valores invertidos, infelizmente não se verá princípios efetivos que façam acontecer essa mudança tão essencial e necessária aos portadores de deficiência. É isso que deve ser mudado. O modo das pessoas pensarem e atuarem dentro de uma sociedade.
Vale ressaltar que de acordo com estatísticas existem cerca de 24,5 milhões de portadores de deficiências no Brasil. Boa parte deles necessitam de cadeira de rodas para se locomoverem, são os chamados “cadeirantes” (grifo meu). Grande parte deles tem uma vida ativa, trabalham e estudam e, por isso, precisam se movimentarem pelas cidades.
Outro problema incomensurável que assola esta população é na hora do lazer, visto que muitas salas de cinema e teatro, bares e restaurantes, por exemplo, ainda não se adaptaram à esse público. Existem calçadas que não são rebaixadas, principalmente na periferia, dificultando a locomoção nas vias públicas. Pessoas em cadeiras de rodas poderiam usar os sanitários de forma independente, se as portas tivessem dimensões que permitissem sua passagem.
Neste sentido, reporta-se ao município de Ariquemes Rondônia, cidade que escolhi para viver e fincar raízes. Até quando as ruas e avenidas terão obstáculos e/ou rampas feitas somente para dizer que existem? Tem uma praça na cidade que a rampa existente é instransponível (não obedece aos critérios exigidos por lei). Até quando os cadeirantes para assistirem a um filme no cinema terão que passar pelo constrangimento de serem carregadas à sala de projeção em virtude das barreiras que não permitem o acesso, até quando ir a bares precisa sair arrastando cadeiras para encontrar um local apropriado para ali ficar, e o setor hoteleiro que excluem essa população, visto que não existem banheiros adaptados ou o acesso a esses prédios é difícil, quando questionados sobre a acessibilidade os empresários simplesmente dizem: “não podemos fazer nada esses prédios são antigos” (grifos meu). Como assim, não podem fazer nada? Já fazem 22 anos da Constituição Cidadã que prevê que os prédios precisam ser adequados e ajustados para permitir o acesso de todos.
Acredito que, numa sociedade tão individualista como à presenciada na atualidade, muitos sequer fazem idéia ou imaginam como deve ser difícil a vida de um cadeirante. Digo pensar não de uma forma que aflore o sentimento de pena, mas sim que essas pessoas também tem direitos como qualquer outro cidadão. Por que então toda a população não abraça essa causa? Todos só teriam a ganhar.
Enfim, para concluir, a questão central. A sua cidade tem pensado neles? E você cadeirante, encontra-se satisfeito com a sua? Penso e acredito que é preciso fazer muita coisa ainda, você não pensa assim?
Logo, inclusão social de pessoas com deficiência é sim possibilidade, de tal modo como é possível a construção de uma sociedade mais digna para todos, com ou sem deficiência. É preciso que a sociedade troque os sentimentos de paternalismo, compaixão ou desprezo, por outros valorativos, respeitosos e reconhecedores, devolvendo ao deficiente físico a cidadania, o direito de participar desta caminhada que se chama de VIDA.

Óculos especial ajuda deficientes visuais a identificar obstáculos

No dia Internacional do Deficiente Físico, uma tecnologia desenvolvida por um pesquisador de São Carlos pode facilitar a vida dos cegos. Ele criou um óculos capaz de alertar os deficientes sobre obstáculos acima do chão.
O equipamento do engenheiro eletrônico José Pott é capaz de fazer a identificação a uma distância de um metro.
A ideia, programada por computador, foi feita a pedido de amigos de Pott que não enxergam. Dois sensores nas hastes vibram avisando o deficiente do perigo. "Eu fui melhorando esse software a medida que eu tinha um feedback das pessoas que usavam. Cada vez que elas me falavam eu ia atualizando", disse.
A aposentada Lúcia Strozi não enxerga há 19 anos, depois de um descolamento de retina. A bengala ajuda a identificar os obstáculos no chão, mas o problema está com as barreiras que ficam no alto. “Orelhões, galhos de árvores, lixeiras e tudo que está suspenso. Eu tenho vários amigos que se machucaram em carroceria de caminhão”, disse.
Lúcia é uma das voluntárias nos testes. Os óculos também podem ser usados como tiara. Em três meses, ela diz que muita coisa mudou. “Protege bem mesmo. Muito melhor”, destacou.
A pesquisa ainda depende de parceria, mas a previsão é que os óculos estejam no mercado já em 2011.
Campanha
Nesta sexta-feira (3), Araras realiza a campanha “Caminho Livre”, cujo objetivo é conscientizar os moradores a não jogar objetos nas calçadas que atrapalhem o trânsito de pessoas com deficiência.
Neste sábdo (4), em São Carlos, também estão programadas atividades às 10h, no calçadão. Além de receber panfletos com orientações, as pessoas poderão conversar com alguns deficientes sobre os problemas que eles enfrentam.
Veja a Reportagem completa
http://eptv.globo.com/noticias/NOT,3,3,326325,Oculos+especial+ajuda+deficientes+visuais+
a+identificar+obstaculos.asp