Cerca de 45,6 milhões de brasileiros têm pelo menos uma deficiência, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)divulgado na sexta-feira, 29/06, com base em dados colhidos em 2010. Entre as pessoas maiores de 10 anos que se declaram com deficiência e têm algum tipo de trabalho, 46,4% ganha no máximo um salário mínimo. Já entre a população sem qualquer deficiência, essa era a realidade de 37,1%, o que indica uma diferença de mais de 9 pontos percentuais entre os dois grupos.
Segundo a coordenadora do Comitê do Censo Demográfico do IBGE, Andréa Borges, o levantamento aponta que para corrigir essas distorções são necessárias políticas públicas mais fortes que incentivem essa parcela da população a aumentar seu grau de instrução, o que interfere diretamente nos níveis de rendimento.
"Os dados revelam que a maioria das pessoas que têm deficiência está concentrada em níveis de instrução e de rendimento muito baixos. Já existem políticas públicas nesse sentido, mas elas podem ser melhoradas para que haja maior incentivo para que essa parcela de brasileiros não pare de estudar ao concluir o ensino fundamental, mas que vá adiante. Enquanto 10,4% dos que não têm deficiência tem (ensino) superior completo, apenas 6,7% das pessoas com deficiência estão nesse patamar", ressaltou.
A situação é mais complicada para quem possui deficiência intelectual ou motora. De acordo com o levantamento, o maior percentual (cerca de 28%) tem renda entre meio e um salário mínimo. Além disso, o percentual de pessoas economicamente ativas com 10 ou mais anos é menor para deficientes mentais: 22% para homens e 16% para mulheres.
Entre os deficientes visuais, 63,7% dos homens 43,9% das mulheres têm vida economicamente ativa. A mesma diferença foi verificada pelo IBGE no nível de ocupação, que ficou em 17,4% para pessoas com deficiência intelectual e 48,4% para pessoas com deficiência visual. As pessoas com deficiência visual ou auditiva também ganham mais, concentrando-se na faixa de ganhos de um a dois salários mínimos, 29% e 28,4%, respectivamente.
O levantamento aponta ainda que, em 2010, a população ocupada com pelo uma das deficiências investigadas representava 23,6% (20,3 milhões) do total ocupado (86,3 milhões) no País. Além disso, mais da metade (53,8%) dos 44 milhões de pessoas com deficiência em idade ativa (10 anos ou mais) estava desocupada ou não era economicamente ativa.
Em relação ao total da população desocupada ou não economicamente ativa, que somava 75,6 milhões em 2010, as pessoas com deficiência representavam 31,3%. O documento constatou também que a maioria das pessoas com deficiência ocupadas era empregada com carteira assinada (40,2%), uma diferença de 9 pontos percentuais em relação à população sem nenhuma das deficiências investigadas (49,2%).
Com informações da Agência Brasil.
Fonte: http://invertia.terra.com.br/terra-da-diversidade
sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Viajar sem barreiras
Quando Ricardo Shimosakai e Andrea Schwarz, viajantes inveterados, perderam os movimentos das pernas, eles poderiam ter se revoltado. Poderiam praguejar pelo resto da vida. Mas não: logo entenderam que estar em uma cadeira de rodas não significa ficar preso. E resolveram que continuariam viajando, agora sobre duas rodas. Mais que isso: decidiram mostrar àqueles que têm algum tipo de deficiência que não é preciso se privar do prazer de sair pelo mundo.
Ricardo, que aos 33 anos levou um tiro em um sequestro-relâmpago, fundou a Turismo Adaptado, empresa especializada em agenciar viagens para pessoas com qualquer tipo de deficiência. Andrea, vítima de um problema congênito na medula, que só se manifestou aos 22 anos de idade, lançou o Guia Brasil Para Todos, que mapeia dez capitais e seus pontos turísticos sob o ponto de vista da acessibilidade.
Ou seja: dá, sim, para conhecer o que há lá fora, seja por terra, por água ou pelo ar. “Basta estar disposto a enfrentar eventuais dificuldades”, diz Ricardo, que é bacharel em Turismo pela Universidade Anhembi-Morumbi. Para Andrea, o fator decisivo é o planejamento. É essencial pesquisar muito. Em geral, é possível comprar pacotes nas agências convencionais, que providenciam acomodações e transfers adaptados, mas Andrea prefere botar a mão na massa. Ela monta seus roteiros com os filhos e faz as reservas. “Afinal, ninguém melhor que você mesmo para saber suas necessidades”, afirma. Ao planejar a viagem, o importante é pensar nos detalhes.
As companhias aéreas, por exemplo, estão se adequando. Nem todos sabem, mas, quando se comprova que o passageiro depende de outra pessoa para garantir seu bem-estar e segurança, muitas delas garantem 80% de desconto na passagem do acompanhante. Os deficientes visuais, por sua vez, podem viajar com cão-guia na cabine de passageiros, sem tarifa adicional, desde que o animal tenha certificado de treinamento e de vacinas e esteja devidamente identificado. E todas as companhias devem oferecer cadeira de rodas para que o passageiro se locomova até o embarque, já que muitas vezes a do próprio viajante precisa ser despachada – se não couber dentro da cabine.
Os cruzeiros também têm se tornado boas opções. Para começar, porque eles dispensam toda aquela pesquisa que o viajante precisaria fazer sobre acessibilidade em hotéis, museus e atrações turísticas. Mas é essencial consultar a companhia e verificar a “idade” de cada navio. Razão: os mais modernos têm cabines adaptadas. Só na frota da MSC, por exemplo, são 174 acomodações especiais. Alguns navios têm corredores largos, lugares reservados para cadeirantes nos teatros, bem como placas em braile espalhadas pelos conveses. MSC Cruzeiros, Costa e Royal Caribbean são companhias que investiram nesse segmento recentemente.
Para quem optar por uma viagem em terra, além da agência Turismo Adaptado, de Ricardo Shimosakai, existe ainda aqui no Brasil a Accessible Tour, sem contar as pequenas empresas locais com opções especificas de passeios (veja quadro). O município de Socorro, a 135 km de São Paulo, concentra boa parte delas. Conhecido pela prática de esportes de aventura, como rafting, rapel e asa-delta, esse lugar serve hoje como referência em acessibilidade para as comissões organizadoras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Ali é possível encontrar agências que oferecem atividades adaptadas a quase todos os tipos de deficiências. A tirolesa e o rafting são as mais procuradas. No mesmo caminho estão outras duas cidades ecoturísticas: Brotas (SP) e Bonito (MS). Nelas, a aventura está apenas começando para os turistas com deficiências.
5 dicas essenciais
Autora do Guia Brasil Para Todos, Andrea Schwarz é fundadora da iSocial, empresa que presta consultoria em empregabilidade para pessoas com deficiência. Aqui, ela dá dicas para uma viagem sem grilos.
1 Pesquise muito. Antes de fazer a reserva, ligue no hotel e faça um verdadeiro interrogatório sobre a estrutura. Qual a largura das portas? Há barras de apoio no banheiro? Há rampas ou elevadores? Peça até que lhe enviem fotos do quarto. Recomendações de conhecidos também são bem-vindas.
2 Prefira voos sem escalas, mesmo que sejam mais caros. Assim você não se locomove mais que o estritamente necessário. E antes de comprar a passagem, verifique qual companhia área está mais bem preparada para atender suas necessidades. Em geral, as informações estão disponíveis nos respectivos sites, mas vale a pena telefonar confirmando.
3 Informe-se sobre o transporte público: os veículos estão preparados para recebê-lo? Em alguns casos, alugar um carro pode compensar.
4 Leve uma quantidade extra de todos os equipamentos que você usa: câmeras de ar caso o pneu da cadeira fure, almofadas de assento, muletas, bengalas, ferramentas de montagem, aparelho auditivo e medicamentos.
5 Consulte guias e sites. O Guia Brasil para Todos (brasilparatodos.com.br) apresenta 139 passeios. Já o Blog Mão na Roda (maonarodablog.com.br) dá dicas de hotéis e pousadas. E o Aventura Especial (aventuraespecial.org.br) mostra destinos com esportes de aventuras.
Pacotes e atividades
Turismo Adaptado
A agência tem pacote de 5 noites para Lima, Cuzco e Machu Picchu a partir de US$1.343. Oferece ainda curso básico de mergulho em São Paulo: a partir de R$ 420 tel.: 11/ 3846-6333, turismoadaptado.com.br
Accessible Tour
Oferece pacotes especiais para diversas cidades do Brasil e do mundo. Os preços são sob consulta. tel.: 11/ 3138-3477, accessibletour.com.br
EcoAção
Tem diversas opções de atividades e esportes radicais adaptados: rafting (R$90), rapel (a partir de R$ 65), arvorismo (a partir de R$ 65) e tirolesa (a partir de R$ 15) tel.: 14/ 3653-9140, Brotas/SP, ecoacao.com.br
Rios de Aventura
Agência de turismo de aventura que oferece o programa de rafting (R$ 95) para portadores de necessidades especiais. tel.: 19/ 3895-6255, Socorro/SP, riosdeaventura.com.br
Hotel Fazenda Parque dos Sonhos
Hotel fazenda adaptado, que oferece cinco opções de aventura à escolha do hóspede. Diária para casal a partir de R$ 260, incluindo café da manhã, almoço, chá da tarde e as atividades. tel.: 19/ 3855-2833, Socorro/SP, parquedossonhos.com.br
Go In São Paulo
Agência com vários passeios em São Paulo, incluindo tour de compras e tour cultural. tel.: 11/ 3289-3841, São Paulo/SP, goinsaopaulo.com.br
Fonte: http://revistaviajar.com.br/ (Cristiane Sinatura)
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Seis em cada dez deficientes com 15 anos ou mais não terminaram o ensino fundamental
O Censo Demográfico 2010 mostra que 61,1% da população de 15 ou mais anos de idade com alguma das deficiências investigadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não tinha nenhum tipo de instrução ou não conseguiu completar nem o ensino fundamental. O número, divulgado nesta sexta-feira (29), é 22,9 pontos percentuais maior que o índice daqueles que declararam não ter deficiência (38,2%).
Esse número é maior nas regiões Nordeste (67,7% do total) e Norte (61,9%). Em todos os outros níveis de instrução, a diferença entre as pessoas com e sem deficiência é um pouco menor –porém, em qualquer um dos casos, os percentuais são menores entre aqueles que declararam possuir algum tipo de deficiência.
Segundo o IBGE, quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas no censo: mental, motora, visual ou auditiva.
Taxa de alfabetização menor
A taxa de alfabetização entre as pessoas de 15 anos ou mais que disseram ter algum tipo de deficiência (81,7%) também é menor do que os que se declararam sem nenhuma delas (90,6%).
De acordo com o órgão, foi considerada alfabetizada “a pessoa capaz de ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhecesse”. Foram classificados também como analfabetos aqueles que “aprenderam a ler e a escrever, mas que esqueceram devido a ter passado por um processo de alfabetização que não se consolidou e a que apenas assinava o próprio nome”.
Os dados dos dois grupos se aproximam quando o critério é taxa de escolarização. Segundo o IBGE, 95,2% das crianças de 6 a 14 anos com deficiência estavam na escola, contra 97,71% do total da população nesta faixa etária. A região Norte teve o menor índice do país: 93,3%, número 0,7 ponto percentual maior que o da população sem deficiência. Isso se deve, diz o instituo, provavelmente à falta de infraestrutura de transporte escolar na região.
Fonte: http://educacao.uol.com.br
Maratona diária para quem usa cadeira de rodas
É preciso ter o preparo físico de um maratonista para acompanhar a rotina de um cadeirante ao ultrapassar os obstáculos encontrados nas calçadas de São Paulo. “A vida do cadeirante é olhar para baixo”, resume o analista de sistemas Valdir Gonçalves, de 41 anos. Nesta quinta-feira, ele mostrou ao site de VEJA, na prática, os principais problemas que enfrenta para se locomover e realizar as atividades mais corriqueiras. “Para pessoas que não movimentam o tronco seria impossível andar pelas ruas de São Paulo porque isso exige muito esforço físico”, conta.
O ponto de partida do trajeto foi a unidade do Sesc-Belenzinho, na Zona Leste da Capital, local que frequenta várias vezes durante a semana para praticar musculação e natação. “Em São Paulo você tem ilhas de acessibilidade", observa Valdir. "Um exemplo é a região da Paulista e centros culturais como o Sesc. Mas o grande problema é chegar até estes lugares”. O desafio proposto era sair de uma dessas “ilhas” e enfrentar a “realidade”: usando o metrô e as calçadas, ir até a região de Santa Efigênia, no Centro, para buscar o celular que Valdir havia deixado na assistência técnica.
O caminho até a estação Belém, apesar de curto, traz uma série de problemas, como calçadas inclinadas, que exigem grande esforço físico, pois sobrecarregam só um lado da cadeira. Em várias esquinas não há rampas e, quando existem, estão deterioradas, com buracos e desníveis. Outro problema frequente é o acúmulo de água na base das rampas, que impede a saída das cadeiras. Há também rampas improvisadas que, por não terem a largura necessária, podem travar as rodas das cadeiras e causar acidentes.
Não foram raras as vezes em que, por falta de alternativa, Valdir teve que trafegar pela rua, correndo o risco de ser atropelado. Na via que dá acesso à estação, por exemplo, teve que disputar espaço com os ônibus – não havia rampa para subir na calçada. “Geralmente, regiões com maior circulação de pessoas, perto de centros comerciais ou de alto poder aquisitivo recebem mais atenção da prefeitura", diz. "Mas quanto mais periférica a zona, pior a situação das calçadas”.
Ao chegar ao Centro a situação é um pouco pior – e os buracos são mais frequentes. “A cadeira não é feita para passar por buracos", conta. "Já danifiquei outra cadeira por causa disso”. A escassez de rampas o obriga mais uma vez a fazer boa parte do trajeto pela rua. Em um dos cruzamentos, a rampa está deslocada da faixa de pedestres e Valdir é obrigado a avançar sobre os carros parados no sinal.
Para o analista de sistemas, a preocupação com a acessibilidade não garante apenas a independência dos deficientes físicos, mas beneficia toda a população. “Rampas são utilizadas por idosos, mulheres grávidas ou pessoas que passaram por cirurgias. Todo mundo está sujeito a ter os movimentos limitados, mesmo que temporariamente”.
Índice de acessibilidade - A dificuldade enfrentada por Valdir é a mesma de milhares de cadeirantes. Segundo o IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros (23,9% da população) possuem algum tipo de deficiência física no Brasil – o órgão não especifica quantos são cadeirantes. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE revelam que o Brasil ainda carece de políticas públicas para garantir acessibilidade a quem usa cadeira de rodas, mesmo em locais com alto índice de urbanização e disponibilidade de serviços públicos.
De acordo com o estudo, nos municípios brasileiros, a maioria das faces de quadras (cada um dos lados da quadra, contendo ou não domicílios ou estabelecimentos) possui ruas pavimentadas (81,7%), dispõe de meio fio (77%) e oferece calçadas para circulação de pedestres (69%). Mas uma ínfima parcela (4,7%) possui rampas de acesso para cadeirantes. Esse índice sobe para 5,6% em locais onde há maior incidência de moradores com idade acima de 60 anos. A pesquisa, realizada de 1º de agosto a 30 de outubro de 2010 nas áreas urbanizadas dos 5.565 municípios brasileiros, apresenta um nível de detalhamento inédito, com foco em aspectos importantes da infraestrutura urbana, como questões referentes à circulação e o meio ambiente.
O índice de acessibilidade é baixo até nas cidades classificadas pelo IBGE como as que têm a melhor infraestrutura urbana. Nesses municípios, apenas 5,8% das faces de quadras possuem rampas de acesso para cadeirantes – mesmo que 80% delas possuam calçadas, 90% tenham vias pavimentadas e quase a totalidade (98%) disponham de ruas com iluminação pública. Nas cidades classificadas como “inadequadas”, o percentual de incidência de rampas para cadeirantes no entorno dos domicílios é ínfimo: 0,2%.
Sem surpresa - A diferença é grande quando se compara o entorno dos domicílios cujos moradores possuem rendimentos mais altos com os mais carentes. Em locais onde as pessoas ganham mais de 2 salários mínimos, o índice de rampas para cadeirantes é de 12,2%. Em bairros que concentram moradores com rendimentos per capita de até um quarto do salário mínimo, o índice cai para 1%.
“Os dados, infelizmente, não trazem surpresa”, resumiu Carla Mauch, coordenadora da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Mais Diferenças. Segundo Carla, o estudo revela a invisibilidade com que o tema sempre foi tratado, apesar dos avanços observados nos últimos anos – principalmente depois da instalação de leis de acessibilidade e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU (2007).
“O quadro ainda é muito ruim e as transformações são lentas, porque o mais difícil é a mudança cultural”, disse. Carla ressalta que as ações de acessibilidade reduzem as diferenças e contribuem para a difusão do conceito de “equiparação de oportunidades”. A calçada, por exemplo, é o ambiente mais democrático e as rampas serviriam não só para cadeirantes, mas também para idosos, mães com carrinhos de bebê e pessoas com qualquer tipo de dificuldade de locomoção.
Regiões - Os números regionais seguem o mesmo padrão. A região Sudeste – onde o índice de urbanização é mais elevado, com 90,5% do entorno dos domicílios com pavimentação, 87,9% com meio-fio, 82% com calçadas e 73% com identificação das ruas – possui apenas 5% das faces de quadra com rampas para cadeirantes.
As regiões Sul e Centro-Oeste são as que possuem maior incidência de rampas, ambas com (7,8%), enquanto as regiões Norte e Nordeste têm os menores índices (1,8%). Entre os municípios com mais de 1 milhão de habitantes, Porto Alegre se destacou com a maior porcentagem (23,3%) e, Fortaleza, com a menor (1,6%).
Para o responsável pela comunicação da ONG Mobilize - Mobilidade Sustentável, Marcos de Sousa, além da pouca quantidade de rampas, deve-se observar a qualidade delas. A ONG realizou um “Levantamento das Calçadas do Brasil” em 12 capitais brasileiras, em que dá notas para aspectos como regularidade, largura, iluminação e obstáculos. “Há casos de rampas com um poste no meio ou com acúmulo de lixo. É indigno”, disse.
São Paulo - Na maior cidade do Brasil, apenas 9% das ruas possuem acesso para cadeirantes. O índice causou surpresa à deputada federal Mara Gabrilli (PSDB). “Se estes 9% das rampas fossem bem feitas, já seria ótimo", afirmou. "Mas vivendo o dia a dia, a impressão que dá é que este índice é ainda menor”. Segundo Mara, que é cadeirante, São Paulo possui 30 mil quilômetros de ruas asfaltadas e apenas 500 quilômetros de vias com alguma acessibilidade.
A deputada relata que até em bairros nobres é possível se deparar com rampas precárias, com obstáculos, degraus ou intransitáveis. “A Avenida Paulista é um exemplo, mas no resto da cidade não é assim”.
Cadeirante, a publicitária Julie Nakayama, de 25 anos, conta que tem percebido uma melhoria nas ruas em relação à acessibilidade para quem tem dificuldade de locomoção. O problema, segundo ela, é que em locais privados, como shoppings e faculdades, há muito pouca adaptação. Entre os países que visitou, cita o Canadá com um bom exemplo. A Argentina, por outro lado, onde faltam rampas e acessibilidade no transporte público, é o exemplo negativo. “O Brasil está no meio”, resumiu.
Fonte: http://veja.abril.com.br/
Faltam cães-guia para pessoas com deficiência no Brasil
Mais de seis milhões de pessoas sofrem de deficiência visual no Brasil, segundo o último Censo brasileiro. Entretanto, apenas 70 exemplares de cães-guias estão disponíveis no país.
Com a situação, muitos brasileiros se veem obrigados a importar os animais, principalmente dos Estados Unidos. Foi o caso da funcionária pública Maria Rita Souza, que trouxe seu labrador Milo dos EUA e está em fase de adaptação com o animal.
— Ele vai ser muito útil, porque trabalho todos os dias e ele vai me ajudar muito na minha rotina. Vai me trazer muita qualidade de vida.
O labrador de um ano e meio, obedece a comandos apenas em inglês. Maria Rita perdeu a visão aos 21 anos em decorrência de uma doença degenerativa. O cão guia custou R$ 25 mil, mas Maria Rita não pagou nada pelo animal.
Ele foi conseguido por dois amigos que fazem parte do Instituto Iris, instituição que, por meio de uma parceria com uma escola de treinamento de cães-guia nos EUA, consegue importar animais para o Brasil.
De acordo com Ersea Alves, que comanda o instituto, trazer os animais só é possível por meio de doações, parcerias e boa vontade de pessoas que ajudam. O Instituto Iris consegue doar dois animais por ano.
De acordo com Marcelo Panico, também do Insitituto Iris, mais do que cães para serem treinados, faltam formadores.
— Faltam treinadores, formadores de cães-guia, que possam entregar os animais com excelência e eficiência.
Fonte: http://entretenimento.r7.com
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Santa Casa da Bahia abre inscrições para curso profissionalizante gratuito para pessoas com deficiência
O curso de qualificação para auxiliar administrativo, com informática básica, exclusivo para pessoas com deficiência física ou auditiva abrirá inscrições a partir das próxima terça-feira (3). Segundo a Santa Casa de Misericórdia da Bahia, o V Curso de Capacitação Profissional para Pessoas com Deficiências será realizado no período de 16 de julho a 24 de agosto, das 16h às 18h30, no Centro de Desenvolvimento de Pessoas (Cedepe).
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas em horário comercial na sede administrativa da Santa Casa da Bahia, na Pupileira, bairro de Nazaré, ou Cedepe que funciona ao lado do Hospital Santa Izabel, também em Nazaré. Para se inscrever é necessário que os candidatos apresentem cópias do RG, do CPF, da carteira de reservista e um comprovante de residência.
O objetivo do curso é oferecer a pessoa com deficiência uma oportunidade de qualificação profissional, de modo a facilitar a inserção no mercado de trabalho.Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2203-9638/9691.
Fonte: http://www.jb.com.br/
domingo, 1 de julho de 2012
Acessibilidade urbana em discussão
Municípios da Região Metropolitana de Fortaleza e do Maciço de Baturité estiveram reunidos recentemente em Caucaia (CE) para discutir perspectivas para as pessoas com deficiência. É a etapa regional que antecede a Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Com a temática de "Novas perspectivas e desafios", um dos principais pontos discutidos no evento foi a acessibilidade urbana. O debate cearense já faz parte das metas do "Viver sem limite", o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançado em novembro do ano passado pelo Governo Federal. O plano prevê investimentos de R$ 7,6 bilhões até 2014. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência afirma que os Estados são obrigados a "adotar todas as medidas necessárias, inclusive legislativas, para modificar ou revogar leis, regulamentos, costumes e práticas vigentes que constituírem discriminação contra pessoas com deficiência". Conselhos Municipais Mas existem outras ações importantes até se chegar à acessibilidade. Assim, uma das propostas da conferência regional realizada em Caucaia é a criação e o fortalecimento dos Conselhos Municipais das Pessoas com Deficiência. Esses organismos farão frente às reivindicações da população diante das políticas públicas municipais. A etapa regional da III Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência foi realizada na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, no Centro de Caucaia. O tema foi "Um olhar através da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: novas perspectivas e desafios". O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência é vinculado à Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus). As reuniões regionais acontecem englobando todas as macrorregiões do Estado até o final de agosto, quando acontece a Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Ceará (de 29 a 31 de agosto). O primeiro evento regional aconteceu em Sobral (para os Municípios da Zona Norte), no início do mês. Documento Os eventos setoriais visam à formulação de um documento de sensibilização e de reivindicações das causas e lutas do Conselho Estadual. Além das palestras com os temas centrais, foram divididos grupos de trabalho com temas específicos à causa das pessoas com deficiência. Cada Município da Região Metropolitana de Fortaleza encaminhou dois representantes: um da sociedade civil e outro do Governo. De acordo com o IBGE, 45,6 milhões de pessoas no Brasil têm algum tipo de deficiência, o que representa 23% da população nacional. Em novembro do ano passado, o Governo Federal criou o "Viver sem Limite", o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São ações estratégicas em educação, saúde, cidadania e acessibilidade. O plano tem metas para serem alcançadas até 2014 e a previsão orçamentária é de R$ 7,6 bilhões. Coordenados pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, o Viver sem Limites pretende criar ações até a outra ponta dos organismos: os conselhos municipais. A meta é assegurar o cumprimento da legislação no nível local, na cidade, comunidade, localidade, seja da zona urbana ou rural, onde estão os moradores. Mais informações: Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ceará Rua Tenente Benévolo 1055, Fortaleza Telefone: (85) 3101.2870 Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/
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