Desde a última segunda-feira (7), a Prefeitura de Catanduva (SP) iniciou uma campanha para cadastramento de currículos de pessoas com deficiência. O principal objetivo da ação é possibilitar que o maior número de pessoas tenham a oportunidade de conseguir uma vaga no mercado de trabalho. O cadastro é realizado desde 2011, ano em que o programa municipal de empregabilidade da pessoa com deficiência criou um banco de currículos on-line, com link no site da Prefeitura. Em seis lugares da cidade estão disponíveis os pontos para os interessados realizarem o cadastro pessoalmente. A campanha busca também colaborar com as empresas da cidade, já que a lei de cotas devem ser cumprida e na grande maioria dos casos é difícil encontrar pessoas interessadas. Com o cadastro do currículo é possível também realizar cursos gratuitos de capacitação destinados às pessoas com deficiência. Um deles é de informática para deficientes visuais. O curso, que já está em andamento, tem 15 alunos inscritos. Confira os locais onde os currículos podem ser feitos na cidade: - Coordenadoria de Inclusão Social: Rua XV de Novembro, nº 1.600, Bairro Jardim Santa Rosa; - Conjunto Esportivo / Smelt: Rua São José do Rio Pardo, nº 335, Bairro Parque Iracema; - ACE/CIEE: Rua Alagoas, nº 137, no Centro da cidade; - Cras Bom Pastor: Avenida Pastor José Dutra de Moraes, nº 676, Bairro Antônio Záccaro; - Cras Imperial: Avenida Porto Novo, nº 498, Bairro Jardim Imperial; - Cras Juca Pedro/Centro Social Urbano (CSU): Rua Tietê, s/nº, Jardim Sotto. Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
'Olho biônico' devolve a visão a pacientes cegos na Inglaterra
Dois homens cegos da Inglaterra tiveram a oportunidade de enxergar novamente pela primeira vez em mais de duas décadas depois de passarem por um implante de um microchip de "olho biônico", de apenas 3 milímetros. Médicos acreditam que um dos pacientes, Chris James, de Wiltshite, será capaz de reconhecer rostos uma vez que seu cérebro aprender a enxergar também. "Eu sempre tive em mente que um dia eu seria capaz de enxergar novamente", conta Chris. Segundo o jornal britânico Daily Mail, cirurgiões em Oxford, sob o comando do professor Robert MacLaren, encaixaram o chip atrás do olho de Chris em uma operação de oito horas. O outro paciente, Robin Millar, de Londres, teve o chip implantado abaixo da retina. "Desde que o chip foi ativado eu consigo detectar a luz e distinguir silhuetas de determinados objetos, o que é um sinal encorajador", conta o produtor musical de 60 anos. "Eu até sonhei com cores vívidas pela primeira vez em 25 anos, então uma parte do meu cérebro que tinha adormecido está acordada! Acredito que isso é incrivelmente promissor para futuros estudos na área e estou feliz em poder contribuir", diz Millar. Os especialistas em olhos que desenvolveram a nova tecnologia afirmaram que o primeiro grupo de pacientes britânicos a receber o microchip eletrônico estavam "ganhando visões" semanas depois da cirurgia. A novidade traz novas esperanças às pessoas que sofrem com Retinose Pigmentar, uma condição genética que leva a cegueira incurável. Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Debatedores pedem alternativa à interdição total de deficientes intelectuais
O Brasil precisa adotar instrumentos legais que estimulem o tratamento de forma mais humana das pessoas com paralisia cerebral ou intelectual. Essa foi uma das conclusões da audiência pública sobre a interdição de indivíduos com deficiência intelectual e paralisia cerebral grave realizada nesta quinta-feira (3) pela Comissão de Seguridade Social e Família. A procuradora da República em São Paulo Eugênia Augusta Gonzaga Fávero afirmou que, apesar de ser vista como uma violação, a interdição (privação do exercício dos direitos civis) é uma garantia da pessoa com deficiência, prevista inclusive pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O problema, segundo ela, é que no País a prática jurídica é pela interdição total, quando o ideal seria a interdição parcial. "A interdição é a favor da pessoa com deficiência, mas esse mecanismo passou a ser executado sempre de maneira contrária. Tivemos dois ou três casos de pessoas que conseguiram fazer a interdição parcial. Por que não houve mais casos? Porque as pessoas não vão atrás, os próprios advogados não se informam", argumentou. Na opinião de Eugênia Fávero, a culpa não é apenas dos operadores do direito. Ela ressaltou que a legislação brasileira não incentiva a interdição parcial: “O novo Código Civil, de 2002, embora tenha aperfeiçoado o texto anterior, não deixa clara essa necessidade”. A solução, para a procuradora, seria igualar a situação dos parcialmente interditados aos relativamente incapazes, como os indivíduos entre 16 e 18 anos. O secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José do Nascimento Ferreira, sustentou que, na maioria dos casos de interdição total, os indivíduos não têm sequer o direito de escolher o seu tutor, que, entre outras responsabilidades, administrará o Benefício de Prestação Continuada (BPC), uma espécie de pensão no valor de um salário mínimo, recebido por idosos e cidadãos com deficiência. Amplitude da interdição Por sua vez, a advogada Stella Recher explicou que a convenção da ONU determina que o conceito de capacidade legal engloba pessoas com deficiência intelectual e sensoriais, como surdas e cegas, por também serem tolhidas no exercício de atos da vida civil. Na prática, apontou ela, determinar a amplitude da interdição é um problema. "Se a gente pegar duas pessoas com síndrome de Down, por exemplo, elas não terão necessariamente as mesmas dificuldades para lidar com determinadas situações no dia a dia. Isso depende dos estímulos que tiveram quando criança, de estar estudando, estar incluída ou não. Tudo isso tem de ser considerado." Stella defendeu que outras áreas, além da médica, analisem as condições da pessoa com deficiência, até porque a interdição precisa ser reavaliada constantemente, uma vez que há casos em que o interditado readquire algumas capacidades que podem diminuir a amplitude da interdição. A deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), autora do requerimento da audiência pública em conjunto com o deputado Mandetta (DEM-MS), lembrou que, atualmente, há pessoas com síndrome de Down com vida social, algumas até constituíram família, e mesmo assim não exercem seus direitos civis. Ela é relatora do projeto (PL 2063/11) do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) que altera o Código Civil para prever a possibilidade de interdição parcial dos indivíduos com deficiência intelectual. “É preciso avaliar o grau da capacidade civil dessas pessoas para exercer os atos da vida civil, como movimentar o dinheiro e ser autor de sua própria ação judicial”, disse. Rosinha da Adefal ressaltou ainda que o debate de hoje, que contou com a participação de internautas por meio de bate-papo promovido pelo portal e-Democracia, em parceria com a Coordenação de Participação Popular da Câmara, também vai subsidiar a discussão sobre o novo Código de Processo Civil (PL 8046/10). Fonte: Agência Câmara de Notícias
domingo, 13 de maio de 2012
Determinação vence limites impostos pela vida
A Lei de Inclusão Social, aprovada em 2004, obriga as empresas com mais de cem funcionários a ocupar de 2% a 5% das vagas com portadores de deficiência. Esse tipo de inclusão, de acordo com o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência Física (Conade), esbarra em algumas dificuldades para o deficiente. Entre elas, o preconceito por parte dos colegas, a necessidade de adaptação de ambientes de trabalho, como rampas e alargamento de portas. Por causa das dificuldades, muitos profissionais com deficiência desistem de buscar uma vaga no mercado de trabalho. Outros, no entanto, persistem e provam ser possível vencer os limites impostos pela vida. A funcionária pública Ana Carmem Dias, 49 anos, que ficou cega há 14, é um exemplo. Douglas Marçal A perda da visão foi em consequência de uma retinose pigmentar, uma série de alterações genéticas. "Cresci com algumas limitações do campo visual, mas jamais deixei me levar pelos desafios. No primeiro ano, foi complicado se adaptar ao mundo da cegueira. Graças ao apoio de toda a minha família, consegui superar os obstáculos que a vida me impôs", confessa Ana Carmem. Na luta diária para concretizar os sonhos dela, a funcionária pública, que hoje atua como educadora municipal em diversas áreas, enfrentou o preconceito e barreiras de acessibilidade, pelos lugares onde trabalhou. "Aprendi que para ser aceito como um deficiente é preciso primeiro se aceitar. A maturidade emocional me trouxe mais segurança para lidar com o estranhamento das pessoas", destaca. Foram algumas tentativas frustradas de trabalhar na rede privada, que a motivaram a se inscrever em concursos públicos. "A falta de qualificação para deficientes também limita a inclusão no mercado de trabalho", ressalta Ana Carmem, ao se referir às dificuldades de se conquistar vagas de emprego para deficientes. Para ela, o portador de deficiência, seja qual for, não deve se render nunca às dificuldades e limitações. "A luta é grande para todas as pessoas, sejam elas deficientes ou não, por isso, é preciso se qualificar, correr atrás de uma formação profissional. Os sonhos, não nascem apenas de uma vontade, um desejo, mas de muito esforço e determinação", aconselha a educadora, que hoje se diz plenamente realizada no que faz, dando palestras motivacionais em muitas empresas e outros setores da sociedade. Outro exemplo de satisfação plena no trabalho é o da psicóloga e professora das redes pública e privada de ensino Romilda Ramos de Araújo, 42. "Tive poliomielite com um ano e dez meses. A doença comprometeu toda a área motora. Apenas meu braço direito não ficou com sequelas e eu conseguia andar de muletas", conta. Ela lembra que passou por várias cirurgias e depois de um delas, na coluna, aos 13 anos, para corrigir uma grave escoliose, deixou de andar e passou a utilizar cadeira de rodas. "Foi um período muito difícil", recorda. Hoje, ela se diz adaptada . "Eu e a cadeira nos damos muito bem, e com a motorizada então, descobri um novo jeito de viver", relata com entusiasmo. Igual a Ana Carmem, Romilda enfrentou olhares desconfiados e reações de espanto por ser cadeirante, além é claro, de muita dificuldade de acesso para chegar às salas de aula. "Apesar da evolução que obtivemos nos últimos tempos, a questão da acessibilidade continua sendo um dos limitadores da pessoa com deficiência motora. Há também, um estereótipo em relação a essa população que, muitas vezes, é considerada como dependente da ajuda do outro levando a uma percepção distorcida de que talvez o cadeirante, por exemplo, dê mais "trabalho" do que resultados efetivos para a empresa", ressalta. Romilda diz que a explicação está na resistência, em muitos casos, de contratar deficientes. "A atitude denota uma falta de informação e conhecimento dos empresários e gestores sobre a questão da potencialidade desses profissionais", conclui.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Escola bilíngue vira alternativa para incluir surdos
Descrição da Imagem: Três pessoas sentadas numa sala de aula. Duas pessoas estão de costas e a outra está de frente falando em Libras com elas. Em uma sala com alunos surdos do 5º ano do ensino fundamental na Escola Bilíngue Salomão Watninck, em Porto Alegre (RS), a professora Cássia da Silva comemorava na manhã desta terça-feira o dia que marca a luta pela inclusão dos surdos na sociedade. Há exatos dez anos, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sancionou a lei que tornou oficial a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Embora o Ministério da Educação (MEC) recomende que todos os alunos sejam incluídos nas escolas regulares, especialistas concordam que o modelo adotado pelo colégio gaúcho, com foco no ensino bilíngue da língua de sinais e do português, tem se mostrado o mais eficaz para garantir o aprendizado dos surdos. O diferencial da escola bilíngue é o compromisso com o ensino de Libras como língua principal, seguido pela compreensão da língua portuguesa escrita. A professora, que também é surda, diz que a lei trouxe importantes avanços no reconhecimento da língua de sinais pela sociedade. "Eu estudei em uma escola de ouvintes, que tinha foco na oralização, no ensino do português. Era muito difícil, tinha dificuldade para aprender. Só fui me comunicar com a língua de sinais após os meus 15 anos. Hoje, os alunos são estimulados a se expressar com os sinais e eles têm o mesmo nível de aprendizado de uma pessoa que não é surda", afirma a educadora. Criada em 2008, a escola onde que Cássia dá aulas atende alunos até o 6º ano do ensino fundamental. De acordo com a professora do Departamento de Estudos Especializados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Adriana Thoma, a comunidade de surdos no Brasil e diversos especialistas concordam que a inclusão desses alunos em escolas regulares deve acontecer mais tarde, após as séries iniciais. "Pesquisas já comprovaram que alfabetizar um estudante surdo em uma escola regular não funciona. Nosso ensino não está preparado para isso", afirma. Segundo ela, esses estudantes não conseguem acompanhar o restante da turma porque o foco do ensino se dá pelo português oral. "A grande maioria não tem ninguém na família que conheça a língua de sinais. Eles chegam na escola com uma necessidade muito grande e o ensino não está voltado para atender isso, e sim para uma realidade bem diferente. Por isso acabam tendo um rendimento inferior aos colegas, não avançam no aprendizado e se sentem desmotivados em estudar", afirma. De acordo com a professora Ana Cláudia Ramos Cardoso, que trabalha há 15 anos com a educação de surdos, o aluno precisa estar incluído em um ambiente linguisticamente favorável. "A língua portuguesa escrita é a segunda língua para os surdos, assim como o inglês, o alemão para nós. Se a criança estiver em um ambiente onde todos usam a mesma língua, seja no pátio, na biblioteca, na sala de aula, o processo de aprendizagem se torna natural", afirma a educadora, que atua com turmas de educação infantil na escola. Ana Cláudia explica ainda que a diferença entre os colégios bilíngues e as classes especiais é que essa última normalmente trata a surdez como uma deficiência, sem dar foco específico no aprendizado. "Surdo não é deficiente. Não pode ser tratado no discurso da educação especial. Muitas propostas de inclusão hoje acreditam que o aluno surdo deve ser matriculado em uma turma de ouvintes, com um intérprete, e que no contraturno deve ser feita uma atividade especializada de reforço, para complementar o aprendizado com a língua de sinais. Essa criança que estuda o dia inteiro vai brincar quando? Ela não precisa de estudo complementar, mas receber a educação na língua dela, que é a língua de sinais". De acordo com a professora, esse reconhecimento de que Libras é uma língua oficial, assim como o português, foi o maior avanço da lei que completa dez anos. "É uma língua com estrutura gramatical própria, com todas as suas características morfológicas, e que permite ao surdo alcançar os mais altos graus do conhecimento, como ser médico, cientista, professor", afirma. Segundo ela, outro avanço é garantir a obrigatoriedade da disciplina de Libras em cursos para a formação de professores. "Claro que é preciso avançar muito mais. Um professor que tem 60 horas de aula de Libras na faculdade não se forma com o conhecimento suficiente para atender um aluno surdo", completa ao destacar que as escolas, na sua maioria, não estão preparadas para lidar com esses estudantes. Favorável a inclusão dos surdos em escolas comuns, o Ministério da Educação (MEC) disse que trabalha para promover a capacitação dos profissionais da educação, com diversos programas de formação em Libras, a fim de garantir o ensino bilíngue no ensino regular. "Esse conjunto de ações resultou no crescimento do número de matrículas de estudantes público alvo da educação especial em classes comuns, que passou de 28%, em 2003, para 74%, em 2011", afirmou o MEC. Alunos ouvintes aprendem Libras para incentivar a inclusão na Bahia Os alunos surdos de Irará (BA) recebem um atendimento diferenciado na Escola Municipal São Judas Tadeu. Segundo a coordenadora-geral do colégio, Antônia de Lurdes Almeida, os surdos não se sentem excluídos dos demais porque todos aprendem a língua de sinais. "Os professores oferecem capacitação para os pais e para os alunos que queiram aprender a sinalizar e a procura tem sido muito grande", afirma. Segundo ela, é comum encontrar surdos se comunicando com os colegas ouvintes pelos corredores da escola. No colégio baiano, os 12 alunos surdos divididos em diferentes turmas são acompanhados nas aulas por um intérprete e fazem atividades com especialistas em Libras. A escola conta com estudantes surdos desde 2005 e a coordenadora aponta que o desempenho vem melhorando ao longo dos anos. "Percebemos que hoje o aprendizado desses alunos está mais fácil, porque os professores estão mais preparados para ensinar com uma linguagem mais visual e os colegas também estão mais interessados em aprender com eles. Isso incentiva". Ela acredita que compartilhar o ensino de português e o de Libras com todos os alunos pode ser uma solução para evitar que os surdos sintam-se excluídos em uma escola regular. Enquanto isso não vira realidade em todo o País, na escola bilíngue de Porto Alegre os alunos comemoravam nesta manhã o fato de aprenderem sem serem tratados como "deficientes". "Quando eu era bem pequeno, estudei em uma escola de ouvintes. Mas eles falavam demais e a professora dizia que tudo o que eu fazia estava errado. Minha mãe sempre era chamada na escola, até que ela resolveu procurar outro lugar para mim e encontrou o Salomão (a escola bilíngue). Eu adoro essa escola, aprendo o português, brinco, tenho aula de educação física, de artes. A professora sinaliza e tem até professora surda. Eu amo estar na escola", disse Luiz Gustavo, de apenas 11 anos. Emocionada, a professora sinalizou em agradecimento. Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5735686-EI8266,00-Dez+anos+apos+lei+escola+bilingue+vira+alternativa+para+incluir+surdos.html
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Lei amplia possibilidade de pessoas com deficiência ingressarem na universidade em Criciúma (PR)
É de conhecimento geral a situação de dificuldade enfrentada pelas pessoas com deficiência para o acesso aos bens e direitos mais fundamentais, como saúde, educação, transporte e emprego. De todas as lutas travadas historicamente pelas pessoas com deficiência, no entanto, uma se destaca, por ser vista como base para o seu desenvolvimento: a educação. Com o objetivo de oportunizar o acesso dos deficientes à universidade, e por conseqüência, auxiliar na redução das desigualdades, foi aprovada na Câmara Municipal de Criciúma (PR) uma alteração a Lei Complementar, de autoria do presidente Antônio Manoel, Toninho da Imbralit (PMDB), disponibilizando de forma integral, bolsa de estudos na Unesc voltada as pessoas com deficiência. O projeto foi sancionado pelo Executivo Municipal. As inscrições das bolsas referentes ao artigo 129 da Lei Orgânica Municipal estão abertas e encerram na sexta-feira. “Algumas regras mudaram, em função da aprovação da Lei Complementar, a pedido do Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiência. No entanto, os documentos lançados pela Prefeitura para abertura de inscrições para a bolsa, em especial o Decreto que regulamenta o processo seletivo, não observaram a alteração legal”, observa Patrícia Bonfante, presidente do Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiência. Beneficiada até 2007 com bolsa de estudos, Patrícia cursou Direito na Unesc, passou em concurso e atualmente é servidora pública. Anteriormente, segundo Patrícia, as bolsas eram disponibilizadas em percentuais que variavam de acordo com o tipo de deficiência. A partir de agora, é garantida a integralidade da bolsa para todas as pessoas com deficiência que vierem a ser selecionadas para contemplação. “Não há mais necessidade de sub-classificações relacionadas ao tipo de deficiência de cada aluno. Além disso, foi excluída a exigência do enquadramento à carência financeira”, pontua. O conselho vê a aprovação do Projeto de Lei Complementar e sua sanção pelo poder público como uma vitória das pessoas com deficiência. “Considerando todas as dificuldades enfrentadas por este público, em termos de mobilidade, acesso ao mercado de trabalho e mesmo de acesso e permanência na educação formal, e visando, ainda, a defesa da idéia de vida independente para este público, a concessão de bolsas de estudos integrais a todas as pessoas com deficiência que conseguem chegar à universidade é vista como importante medida na luta pela igualdade de condições e de oportunidades”, pondera. Enquanto índices nacionais apontam um percentual de aproximadamente 15% de pessoas com deficiência na população brasileira, nem 5% das bolsas atualmente concedidas pelo município aos alunos do ensino superior é destinado a este público. Nos últimos dois anos, a média foi de apenas dez alunos enquadrados nesta modalidade de bolsa de estudos, em um universo de aproximadamente 300 bolsas concedidas. Fonte: http://www.radiocriciuma.com.br
terça-feira, 1 de maio de 2012
Faltam mais opções para pessoas com deficiência na área cultural
As questões relacionadas à acessibilidade aos filmes de pessoas com deficiências visuais e auditivas acabam também entrando nessa pauta. Se as dublagens permitem uma melhor experiência ao primeiro grupo, excluem o segundo. Na opinião do crítico de cinema Pablo Villaça, para cegos e deficientes visuais, a melhor solução não é a dublagem, mas a audiodescrição, que traz, além da dublagem, explicações sobre o que está acontecendo na tela. Apesar de existirem alguns projetos em sessões especiais, ainda há pouco alcance, apoio e divulgação. Uma das raras iniciativas no Ceará é o Lead (Legendagem e AudioDescrição), grupo de estudo da Universidade Estadual (Uece), criado em 2008. A associação já realizou alguns trabalhos pagos, como a audiodescrição do vídeo coletivo "Fortaleza em Todos os Sentidos", da Vila das Artes. Pablo Villaça acredita que "a simples dublagem é um obstáculo aos deficientes visuais, já que as distribuidoras podem alegar que já atendem a esta comunidade através do áudio em português, deixando de investir na produção de trilhas de áudio-descrição". Se existe uma solução alternativa aos deficientes visuais, o mesmo não acontece com os deficientes auditivos que dependem das legendas para compreender o filme. "Todos os deficientes auditivos que eu conheço só vão ao cinema assistir a filmes legendados, pelo simples fato de que é impossível para nós entender o que é dito num filme dublado", diz a cientista social gaúcha Paula Pfeifer, deficiente auditiva desde a infância. Ela, que também mantém o blog "Crônicas da Surdez", faz parte de um movimento coletivo que recolhe assinaturas para uma petição sobre o assunto. O movimento "Dublado Sem Opção Não!" visa sensibilizar distribuidoras de cinema e emissoras de TV para que as legendas não sumam da programação. "Não vejo sentido nenhum em canais de TV ou cinemas que querem abolir as legendas. Para que tirar a acessibilidade de quem precisa?", questiona. Nas mudanças do mercado, o problema da disponibilidade se mantem, mudando apenas a face da moeda. Se antigamente os espectadores que preferiam os filmes dublados é que reclamavam da falta de opções, hoje muitas vezes acontece o contrário. Na opinião de Pedro Butcher, editor do portal Filme B, distribuidoras e exibidores precisam chegar a um equilíbrio. "Não é justo que o espectador chegue a um complexo com seis salas, por exemplo, e todas estejam com filmes dublados. Ou legendados". O pesquisador Fábio Freire concorda: "O importante é que ambas as opções estejam disponíveis. Eu jamais pago para ir ao cinema ver um filme dublado, mesmo que seja uma animação. Mas se uma pessoa prefere ver esse mesmo filme dublado, seja por preguiça de ler, por achar que as legendas atrapalham ou qualquer outro motivo, ela tem esse direito". Assim como acontece com os lançamentos em DVD, que vêm com as duas opções. As expectativas recaem sobre a disseminação das facilidades tecnológicas do formato digital - principalmente considerando o fato de que muitas cidades dependem de apenas uma ou duas salas. Segundo Butcher, embora atrasado em relação a outros países, o processo de digitalização já está ocorrendo no Brasil. Como os arquivos permitem que o exibidor opte por um formato ou outro, versões legendadas e dubladas do mesmo título poderão ser exibidas em horários distintos, atendendo a diferentes públicos, sem a necessidade de que se tenha mais uma cópia. Fonte: http://diariodonordeste.globo.com
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